The Past of Shioon



8 Anos Atrás

The Past Of Shioon

 

Apesar das constantes guerras entre os humanos e os Leachers, ainda poderia se chamar de uma época de paz. Existiam pessoas, famílias, que nem pensavam em entrar no exército, muitas nem no exército era afiliada. Uma dessas era a família do Shioon. Filho único de um faz tudo, ele pensava em seguir a “carreira” do pai, um garoto que se fingia de lerdo e burro para a idade, por diversão. O problema que as vezes ele SE enganava com a sua própria atuação.

Tendo uma vida relativamente boa, ele adorava se gabar para os outros adolescentes. E normalmente, dava certo. Mas, para o seu próprio bem, ele conheceu uma garota, diferente. Mais velha uns 5 anos, na casa dos seus 20 anos, ela fazia seus hormônios explodirem mais que o normal para aquela idade. Em seus olhos ela era perfeita, e ele estava disposto a tudo para conquista-la. Como lhe era comum ele se vangloriava disso e daquilo, porque era a única forma que ele sabia de conquistar aqueles a sua volta. Mas ela, simplesmente deu de ombros.

Ela era filha de um antigo advogado, que mudará para a inteligência do exército. Ela dizia que gostava mais quando ele era advogado, que ele parecia mais confiável e inteligente. Motivo do qual o Shioon decidiu estudar sobre a carreira cedo. Ela falava sobre o mar que ela nunca viu, sobre as montanhas que ela nunca escalou, ela falava sobre sonhos. Ele falava sobre as lutas que ganhará, sobre as motos que adquiriu, falava pertences e grandes fazeres. E enquanto o jovem contava sobre o que ele conquistará na vida, ela contava sobre o que queria conquistar. Essa divergência de conversa, por algum motivo, fazia um bom par. Até que um dia, ele decidiu se declarar… Declaração essa que foi respondida com um: “Impossível.”

Incrédulo, ele perguntava o porquê e o que ele tinha que fazer para ela mudar de ideia. Ela rirá e disse: “Vire mulher. Afinal, sou lésbica.”

Normalmente, ele desistiria aí, não era do gênero dele correr atrás do que lhe parece difícil ou impossível. Principalmente porque ele conseguiu quase tudo com facilidade. Mas ele sorriu e disse: “Você será o primeiro sonho que almejarei então. E saiba, que vou conquista-lo. A partir de hoje, sou lésbica!”

Essa afirmação com bastante convicção tirou uma gargalhada tão espontânea e “gostosa”, que ao em vez de fraquejar a determinação do rapaz apaixonado, só concretizou o seu desejo. “É essa mulher que eu amo.”

E ele realmente batalhou arduamente para se tornar “lésbica”. Estudou a psicologia feminina, os gestos, os gostos, tudo dentro do seu possível. Ao mesmo tempo estudou Direito e aprendeu o manuseio completo da faca, porque ele queria poder protege-la (apesar dela ser melhor de luta que ele).

Eles se davam realmente bem, da forma deles, e tudo ia de acordo com as expectativas do Shioon… Até aquele dia…

Mesmo não sendo obrigados a se relacionarem com o exército, todos sabiam sobre as sirenes de alerta vermelho. Ela significava invasão dos Leachers. E não era dia de treinamento. Ele estava em casa no momento, os pais também. Seus pais subiram correndo a escada e falaram para ele os seguir. Puxaram ele pelo braço, ignoraram ele confuso, ignoraram ele chamando por ela, ignoraram o seu desespero. Tudo isso porque o pavor de seus pais era maior que tudo isso. Seus pais não ligavam mais para os pertences adquiridos, não ligavam mais os troféus, provas de suas conquistas. Só se importavam com a sobrevivência da família. E o jovem, não ligava para nada também, somente para o seu amor.

Assim que saíram da casa, ele viu o caos, eram famílias correndo carregando o que podiam, se trombando, gritando e chorando. Tal cena parecia sem justificativa, até ele olhar em direção a grande muralha. Ou pelo menos em sua direção… Ela não estava lá. O céu ao horizonte estava escuro, mas não de nuvens, e sim de Leachers voadores, fumaça subia ao céu junto com as fagulhas do fogo da guerra, barulhos estridentes começaram a se mostrar mais fortes que a sirene. Soldados chegavam com suas armas pesadas gritando para as pessoas irem para os abrigos. Foi muito rápido… De dia pacífico para um inferno…

Enquanto corriam, ele viu seus amigos em meio as famílias que corriam, ele perguntava: “Vocês viram ‘ela’? Sabem se ela vai conseguir fugir?”; Muitas vezes eles se quer se davam ao trabalho de ouvi-lo, outras vezes respondiam negativamente. Assim que chegaram no abrigo mais próximo, uma grande cúpula, a família dele e várias outras ficaram sentadas no chão, se abraçando, enquanto soldados guiavam o máximo de pessoas para dentro, a grande cúpula parecia pequena, estava apertado, quente, sufocante… O medo era inevitável. O Shioon levantou a cabeça, a procura dela, e enquanto ele buscava pelo seu amor, ele viu a porta da entrada e o que estava além dela, pessoas vinham, os militares gritando, empurrando quem desse para dentro… E lá, no final da rua… Um Leacher gigante surgia, com quatro braços, aquele bicho que andava como um gorila, com exceção de um par de braços erguido para o ar, parecia liderar um grupo menor de Leachers, que viam pulando igual lêmures. No meio do caminho, entre o abrigo e os monstros raivosos, uma família corria, os militares estenderam os braços, como se diziam para eles correrem para se esconder, alguns, tentavam atirar nos Leachers para assustá-los e atrasa-los, se possível, mata-los. Mas mesmo que alguns lêmures caíssem, mesmo que alguns diminuíssem o ritmo, o grande gorila de quatro braços não parecia se importar, e como se fosse a coisa mais normal, ele abaixou aqueles dois braços erguidos e esmagou a família como se fossem formigas e, nesse trabalho, se impulsionou para o ar. Todos que viram aquilo congelaram, menos os militares que ordenaram a fechada da porta da cúpula. Enquanto a porta fechava, dava para ver os militares atirando, gritando, ordenando proteger os civis. E um pouco antes da porta fechar, o grande Leacher gorila chegou em frente a cúpula, pisando em cima de dois militares… A cena era nojenta, os órgãos se espalhando pelo chão… Granadas foram jogadas, tiros, mas nada impedia tal massacre… Quando faltava uns 30 cm para a porta fechar, cinco dedos seguraram aquela imensa porta pesada… As pessoas começaram a rezar pela sua segurança… Menos os pais de Shioon, que se levantaram e sussurraram para o filho: “Temos que sair daqui.”;

“O que?!”

Exclamou o filho em resposta… O pai explicou que era questão de tempo até aquele Leacher levantar a porta e um exército de pragas invadir… Ficar ali dentro seria morte certa… Ele instruiu, que assim que ele levantasse o suficiente para eles passarem, eles correriam, o máximo que eles pudessem, em busca de algum oficial forte para protege-los…

E assim eles levantaram e correram por entre as famílias sentadas apavoradas e confusas, congeladas pelo pânico. Chegaram até a porta, e viram aqueles dedos imensos segurando a porta, estavam tão próximos que dava para sentir o cheiro podre de morte de seus dedos. Eles viram os músculos se contorcerem, então escutaram um grunhido… A porta começou a ranger… As pessoas começaram a gritar, levantar e correrem em direção oposta a porta, batiam na parede, gritavam por ajuda… Mas a família do Shioon engolia o seco. O pai do Shioon tirou um par de facas da cintura. Ele não sabia lutar. Mas adorava colecionar facas e canivetes feitos para os militares. A porta só abriu uns 60 cm e então a família se agachou e passou pelo espaço, ao sair o grande gorila arregalou os olhos surpreso, e até deixou a porta descer um pouco, ele já estava movendo seus outros braços em direção a família que fugirá, mas eles foram mais rápidos em correr. Shioon achou que o grande Leacher os caçariam e tentou olha a situação com o rabo do olho, mas o gorila só acenou com a cabeça para os pequenos monstrinhos que finalmente se aproximaram…

Inteligente… Ele era inteligente demais para um monstro…

Eles correram, colocando sua vida em risco, para um destino não definido, somente com uma esperança vazia em mente. Não dava nem para chorar, o medo deixou tudo seco, incluindo a garganta. Após alguns segundos, talvez uns 40 segundos. O chefe de família chegou a conclusão… Os Leachers eram mais rápidos… Ele então suspirou e olhou rapidamente para o céu, como se pedisse forças. Entregou um canivete para o filho, sua faca preferida da coleção. E enquanto parava de correr e se virava para o enxame que se aproximava, ele gritou suas últimas palavras para sua amada família, sua última mensagem de amor.

“Proteja sua mãe meu filho! Eu irei segurá-los aqui! Eu amo vocês! Tenho orgulho de você me filho!”

Shioon queria virar, queria morrer junto com seu pai, mas a mãe o puxava pela mão com muita força, mesma força que ela usava para correr, mesmo força que ela usava para segurar as lágrimas, mesma força que ela usava para proteger o que seu marido se sacrificou para proteger.

Eles correram até não terem mais força. Então, a mãe do jovem teve uma ideia. Ela pediu a ajuda do filho para tirar a tampa do esgoto, eles fugiriam pelas tubulações, a tampa era muito pesada, mas o pânico deixou eles muito mais fortes. Assim que tiraram a tapa, ela ordenou o filho começar a descer as escadas, coisa que ele relutou um pouco em ser o primeiro a descer, mas obedeceu, assim que ele começou a descer a mãe ia fazer o mesmo, mas enquanto descia, viu o inferno se aproximando. Ela não pensou duas vezes, subiu e começou a arrastar a grande tampa para o seu lugar. Shioon começou a subir as escadas desesperadamente para se juntar a mãe, que o impediu segurando o seu rosto. E com um sorriso, que só uma boa mãe pode dar para sua cria, ela disse: “Sobreviva.”;

E com o pouco de força que lhe ainda lhe restava, com todo o seu desespero, ela empurrou o filho que se desequilibrou e caiu, nas águas do esgoto… Ela conseguiu tampar o bueiro…

Mas o Shioon queria acreditar que ela tinha corrido, sobrevivido, mas o líquido que passava pelos buracos da tampa e caíram no seu rosto recém emergido da podridão lhe deram a resposta a realidade… Era uma água vermelha…

Ele ficou um tempo ali, tentando entender o que fazer… Mas no fim ele só fechou os olhos e deixou o corpo boiar…

Ele perdeu os pais… E não sabe o que aconteceu com seu amor… Ele não tinha vontade de viver… Só se deixou levar pelo esgoto…

Ah… A ironia… Antes alguém que se vangloriava de tudo que tinha, agora boiava junto a merda, em uma água cheia de doenças e ratos… Ele ficou boiando e divagando por muito tempo, mais de uma hora com certeza.

Chegou um momento que a água acelerou e ele se ajeitou naquela situação para ver o que acontecia. Ele viu, ao longe, uma queda d’água. Queda essa que ele não se importava ser grande ou pequena…

Ele fechou os olhos e deixou para a sorte…

Sorte essa que era maior do que ele poderia querer… Era uma queda leve para o rio. A tubulação levava para fora das muralhas, para fora do caos, embaixo de uma ponte. Ele ficou de pé, porque o rio era raso…  Começou a subir as margens e quando ia embora ele escutou um gemido doloroso, de cima da ponte, sem vida ele olhou na direção do barulho e lá, encontrou uma fagulha de vida… Uma vida que ele conhecia bem.

Era ela! Ela estava ali, em cima daquela ponte, sentada encostada no muro de segurança, segurando sua barriga… Ela estava ferida…

Shioon correu em sua direção, gritou pelo seu nome, disse que ia salvá-la. Palavras que ela respondeu com um: “Quem está ai?”

Ela estava nas últimas… Ela morreria em seus braços… Era doloroso demais…

— Por favor… Não morra… Você é tudo que me restou… Eu vou protege-la… Então por favor… Podemos começar juntos uma vida… Ter uma família… Você sabe que eu faria tudo por você, não é? Eu te amo… Por favor…

Como se suas suplicas fossem estrondosas, ela arregalou os olhos e abriu um largo sorriso. Sorriso esse que seria tão largo como quando ele disse que seria lésbica. Tão belo quanto naquele momento… Mas lhe faltava vida… E ela, com suas poucas forças disse palavras que ele conhecia bem:

— Impossível, eu sou lésbica…

Não conseguindo segurar as lágrimas, Shioon entendeu a mensagem e respondeu:

— Que coincidência… Eu também…

Ela então colocou suas mãos no rosto do jovem, tentou secar as lágrimas que caiam, e então suspirou:

— Eu só te aceitarei… Se você sobreviver o máximo possível… Da melhor… Forma… Possível…

Então sua mão caiu, ele não queria ter ouvido essas palavras, ele chorou… Esperneou… Segurou suas mãos tão frágeis e fracas enquanto esperava que ela respondesse a esse calor…

­— Jessica… – Ele gemeu o nome da sua amada…

E como um último presente da sua amada, uma mão segurou o ombro do rapaz desolado. Era um soldado… Ele pedira para que o jovem se afastasse do corpo, e que fosse com ele para um local seguro… Local que hoje, 8 anos após o ocorrido, é o seu lar. Se ela não tivesse lhe pedido para sobreviver, ele ficaria ali, se negaria a ir, morreria ao lado dela… Mas ele era fraco aos seus pedidos… Ele decidiu viver, por ela e pelos seus pais.

Ele passou a conversar sobre montanhas que ainda não escalara, sobre os mares que ainda não vira, sobre os sonhos que adquirira.

 

Este guia é uma iniciativa da GodHandS Fansub.