Capítulo III – Agasa Hiroshi

Capítulo III:

Agasa Hiroshi

Um mês e uma semana se passará desde o incidente do estágio de Rugby. Nenhum sinal do próximo oponente. Os antigos suspeitos estão sendo mantidos sobre vigilância constante pelo Takagi a pedido do Megure. Aparentemente, Yamamto se culpa pela morte da Yumeria, (sensato, já que eles não sabem que ELA era a criminosa), Mitsuzawa ficou mais quieta com a morte da sua favorita, porém Aizu aparenta estar “normal”.

O Agasa Hakase anda cauteloso, para aumentar sua proteção, Edogawa Conan está morando com ele. A Ran, que está morando com a mãe, não se importou muito, pois achou que seria melhor para a criança ficar na casa de uma amiga e ter com quem se distrair, sem falar que ela tinha planos de se aventurar em algo extremamente perigoso, e não queria envolver aquele que ela considera um pequeno irmão.

A pior parte de tudo era que o Hakase não poderia demonstrar que ele sabia que era o próximo “jogador”. Por isso ele tinha que manter seu dia a dia natural, mesmo que ele pudesse atuar um período de luto pelo Mouri, não poderia estendê-lo, afinal, contas têm que serem pagas e um possível assassino têm que ser enganado.

Em outras palavras… Aqui estavam… Conan, Haibara, Hakase, Genta, Ayumi e Mitsuhiko a caminho de mais um acampamento (Ironicamente ao pé de Kuroyama em Okutama, Distrito de Nishitama)… Os pais das crianças pediram esse favor ao Hakase porque elas estavam se sentindo meio para baixo com a “morte” de dois de seus “ídolos”.

– Excelente ideia, vamos aceitar levar três crianças para o meio das montanhas sobre a supervisão de um homem que será visado por um maluco psicótico que pode ser pior que uma mulher que quase tacou fogo em toda Tokyo! O que poderia dar errado, não é mesmo?! – Sussurrou a pequena garota em ira para o companheiro que dividia o acento do passageiro com ela.

– Absolutamente tudo! Ao mesmo tempo em que concordo contigo, também entendo a escolha do Hakase… Seria o mais natural… – Sussurrou Conan de volta.

Ouvindo os sussurros das crianças, Hakase fez uma cara de desgosto, mas não comentou nada para elas, somente questionou o silêncio no banco de trás.

– Vocês não estão animadas para o final de semana nas montanhas?

– Nós estamos, é só que… – Ia começar a explicar a Ayumi.

– Nós queríamos estar na cidade buscando o Caos de Tokyo para jogá-lo atrás das grandes! – Gritou Genta furioso.

– Isso! Fazer ele pagar por ter… – Mitsuhiko não queria completar a frase. – Enfim! Não podemos capturá-lo aqui no meio das montanhas!

Conan ao ver a reação das crianças decidiu ter um plano para animá-las, um meio irresponsável, diga-se de passagem…

– Nunca se sabe, talvez o Caos de Tokyo esteja se escondendo nas montanhas. Faria sentido se esconder longe da polícia, não?

Haibara encarou Edogawa como se quisesse degolá-lo, mas ele ignorou tal olhar nocivo. Porque o olhar do Shonen Tantei Dan era iluminado conforme a ideia era processada.

– Você… Acha que temos chance de encontrar ele no acampamento?! – Perguntou Ayumi esperançosa.

– Faz sentido! Vamos encontrar seu esconderijo! – Disse Mitsuhiko.

– E eu irei capturá-lo e ganharei muita enguia pelo meu feito! – Imaginou Genta.

– Enguia de novo Genta? – Questionou Ayumi.

– Você só pensa em comer… – Suspirou Mitsuhiko.

“E com isso, o espírito das crianças voltou à ativa, por hora. Prefiro-os assim, animados. E quanto ao próximo jogador, dessa vez estou preparado para o pior… E para fazer o pior.”

– Mas não sei quanto tempo você vai ficar com seu espírito ativo e animado com esses seus pensamentos malignos. – Sussurrou Haibara para Conan que se assustou com sua “leitura de mente”.


“Finalmente… Achei que esse velho nunca iria sair da cidade… Agora… Como posso brincar com ele? Devo me lembrar de seguir as regras. Não quero acabar morto como a idiota da Yumeria por desagradar o Kuro… Um jogo… Um jogo… Já sei qual jogo! Ao-Oni! Isso! Agora… Quem será o Aka-Oni que terá que desaparecer? Ah… Estou amando essa ideia…”


O grupo chegou ao local do acampamento próximo do fim da tarde. Era uma área bastante aconchegante e popular entre aqueles que curtiam as montanhas nos fins de semanas, para fugir da vida agitada da cidade e afins. Tinha no mínimo uns seis grupos no local, ou pelo menos, seis conjuntos de barracas.

Próximo ao rio tem três conjuntos:

1º Um casal na casa dos 50 anos;

2º Um pescador solitário em volta dos 40 anos;

3º Um grupo com quatro estudantes universitárias;

Mais próximo a floresta tinha dois conjuntos:

1º Irmãos gêmeos;

2º Um senhor bastante musculoso, porém velho. Algo em torno dos 70 anos;

E por fim, o grupo do Shonen Tantei Dan no meio, não muito longe do rio, nem muito longe da floresta. Existiam muitos motivos para tal escolha, uns que poderiam ser ditos para as crianças, outros que eram segredo entre Haibara, Conan e Hakase.

Por questão de adiantamento, Conan decidiu, junto com as outras crianças, cumprimentar todos que estavam ali, para aquele final de semana. Não há nenhum mal, e caso o jogo ocorresse ali, Conan já teria coletado informação de todos os suspeitos.

Isso tinha virado rotina nesse mês. Sempre que paravam em algum lugar por um tempo, Edogawa cumprimentava a todos e fazia algumas questões básicas. As outras crianças já tinham notado essa pequena diferença, mas não acharam muito estranho porque não era muito diferente do comum.

Então, foram eles, começando pelo rio na ordem apresentada;

– Boa noite, meu nome é Edogawa Conan e esses são meus amigos: Genta, Mitsuhiko e Ayumi. Nós e o Hakase vamos passar o final de semana aqui acampando. Espero que possamos nos dar bem nesse curto período de tempo.

A senhora arregalou os olhos em surpresa a repentina aparição das crianças a cumprimentá-las. Com um leve sorriso ela se curvou a pequena criança e se apresentou:

– Olha só mais que garoto educado! Será um prazer passar esse final de semana com vocês. Meu nome é Furuzaki Tomoe, e esse é meu marido Hugo. – O senhor deu uma pequena reverência segurando o chapéu enquanto mexia na churrasqueira.

– Whaaa! – Exclamou Mitsuhiko chegando perto do senhor. – Essa é uma daquelas pulseiras de sobrevivência?!

Um pouco alarmado, o senhor demorou um pouco para se recompor. Mas após compreender o que a criança apontava, ele alegremente falou sobre.

– Sim! Como sempre amei a natureza, quando ganhei essa pulseira da minha sobrinha passei a usar o tempo todo, e agora poderei usá-la na prática. Olha só, irei usar ela para acender a churrasqueira. – Ele tirou a pulseira e demonstrou que o fecho que trava a pulseira é feita com uma pequena vara de magnésio e do outro lado uma pequena peça de metal dentada, que ao se friccionarem soltavam faísca. Dessa maneira ele pode acender a churrasqueira e impressionar as crianças.

Além disso, o casal convidou a todos para se juntarem ao churrasco deles, Genta naturalmente estava bastante animado com a ideia, e ainda questionou se teria enguia… Como sempre…

Além disso, das informações adquiridas, Hugo é meio Japonês e meio Grego. Nunca foi para a Grécia, nasceu e cresceu no Japão e não pretende sair. Os dois se conheceram na universidade, e começaram a namorar após um ano de amizade. Tiveram uma garota, e hoje ela tem 22 anos e está morando longe, fazendo arquitetura. Hugo se aposentou cedo por causa de um acidente na fábrica onde trabalhava, fazendo com que ele não possa levantar peso em excesso. Sempre que a Tomoe pega uma folga do serviço, eles viajam para algum canto do Japão, seja a praia, as montanhas ou até mesmo uma floresta.

Após essa longa conversa, eles partiram para cumprimentar os outros grupos.


O próximo “grupo” na verdade era somente um pescador, que o Conan iria se apresentar da mesma maneira, mas Genta se agitou ao ver que o homem tinha em sua caixa de isolamento térmico com várias enguias.

– Hey! Ossan! Você vai comer essas enguias?! – Perguntou o garoto aos gritos, mas o pescador nem se quer balançou a cabeça.

Mitsuhiko ao perceber o desdém do homem, tentou tirar o Genta de perto dele, fazendo o garoto gordinho soltar um: “Pelo menos responde…”

– Desculpe-me a agitação do meu amigo, ele gosta muito de enguia. – Conan tentou amenizar o início, mas aquele pescador, de fato, parecia estar ignorando o mundo.

Foi a Ayumi que teve o palpite certeiro nesse caso. Com um sorriso largo ela “se jogou” na frente do homem que dessa vez reagiu com uma pequena endireitada do corpo. Ela acenava com as mãos energeticamente, o que fez o homem corresponder com um aceno tímido e singelo.

– Ah… Ele é surdo. – Concluiu Conan, que não sabia línguas de sinais. Então, com o celular, ele tentou conversar com o homem que se demonstrou um pouco impaciente, mas respondeu que seu nome era Kagari Nagazaki e que só tinha vindo pescar. E as enguias eram sua comida e que não planejava dividi-la porque estavam contadas, a não ser que trocassem por algo que pudesse satisfazê-lo igualmente. Genta aceitou a proposta e convenceu o Hakase a deixar que ele trocasse sua porção de carne do dia pela enguia.

Tirando esse pequeno cambio, nenhuma informação, ou troca de informação foi conseguida.


No último grupo próximo ao rio tinha quatro garotas da universidade de Tokyo que estavam mais preocupadas em tirar fotos para uma conta do Instagram que de fato preparar suas barracas. Elas não planejavam ficar o final de semana inteiro. Iriam embora no outro dia ao final da noite.

Elas faziam parte do clube de fotografia e estavam lá para atualizar o álbum do grupo. A mais velha e líder do clube se chamava Gukuro Ino, um nome bastante incomum, por assim dizer, mas ela era como uma irmã protetora, tinha uma voz calma e um sorriso acolhedor. A vice-líder era baixinha e extremamente agitada, seu cabelo pintado de loiro se destacava pelo exagero. Seu nome era Ikeda Himeko, apesar de seu jeito hiperativo, ela sabia tudo o que era necessário fazer no acampamento, ela devia ter experiência no quesito. Agora a mais alta e também mais nova, Tanaka Kana era o completo oposto; extremamente quieta e tímida. Ela gostava de ficar mexendo na câmera, revisando as fotos, ângulos e possíveis pontos para uma boa foto. Por fim, Ito Sayaka. Mesma idade que Ikeda Himeko e parecia estar passando mal, porque só saia para tirar a foto em grupo e voltar para a barraca. Aliás, uma das fotos do grupo incluía as crianças. Elas disseram que seria legal adicioná-las ao álbum.


Com isso, as pessoas próximas ao rio foram “cumprimentadas”, agora só faltavam os três que se encontravam próximos a floresta. Os gêmeos e o idoso musculoso.

Os gêmeos eram ridiculamente assustadores. Seus rostos eram rígidos e quadriculados. Suas mandíbulas eram imensas, suas sobrancelhas eram unidas e caídas, tampando praticamente os olhos, suas expressões carrancudas complementavam o “kit”. Um dos irmãos, o mais velho, tinha cabelos cumpridos e desfiados, dando uma aparência completamente selvagem e desleixada.  O mais novo, porém, tinha um cabelo curto encharcado em gel em um cabelo mal arrepiado e com excesso de brilho. Ambos eram levemente barrigudos e bastante largos. Suas vozes eram escandalosas e agudas, completamente opostas da aparência rígida e uniforme.

O mais velho se chamava Aoyama Ichiro e o mais novo Aoyama Niro. Apesar de suas aparências completamente… Inesperadas… Eles foram bem educados e pacientes com as crianças. Não demonstraram se sentirem ofendidos quando Ayumi gritou de susto quando Ichiro se aproximou dela para perguntar o que as crianças estavam fazendo em sua barraca, ou quando Mitsuhiko se escondeu atrás do Genta que levantara os punhos para lutar enquanto ambos gritavam para “O monstro deixar a Ayumi em paz”.

Na realidade, eles até riram da situação e Niro ofereceu um pirulito para cada criança de um saco que ele acabara de abrir. Aparentemente o irmão mais novo amava doce, enquanto o mais velho preferia o sabor mais azedo. Outra coisa que poderia diferenciar os irmãos era que Niro mancava com a perna direita. Aparentemente ele se envolveu em um acidente no trabalho.

Falando em trabalho, Niro trabalhava em uma fábrica e Ichiro era dono de um pequeno restaurante no pé da montanha. E eles vinham todo final de semana na área montanhosa para poder pegar lenha e visitar o túmulo de vossa mãe. Ela morreu quando eles tinham somente 10 anos e o pai está vivendo em uma casa de repouso.

Eles adoravam conversar e tinham um amor elevado para música. Niro queria abandonar o emprego na fábrica um dia para virar professor de música para as crianças locais um dia. Ele sabia tocar violão, violino, piano e flauta. Ichiro, apesar de também amar a música, gostava mais de cantar que tocar… Mas ele definitivamente não era bom nisso. Então se contentava com seu emprego.

Após a longa conversa, eles até mesmo convidaram as crianças para explorarem a floresta com eles no outro dia, no sábado, já que sexta já estava chegando ao fim. O Shonen Tantei Dan disse que pensaria no caso, assim que falasse sobre o assunto com o Hakase.


Por fim, e não menos importante:

Stuart Armstrong

Americano aposentado, antigo soldado, o homem era extremamente forte e ia para a montanha para se manter em forma, ainda em seus 77 anos! Extremamente risonho, sabia falar japonês fluentemente. Apesar de aparentar ser bem humorado, ele era bastante severo, provavelmente por causa de seu passado militar. Ele até mesmo colocou as crianças para ajudá-lo na coleta de lenha. Criança não poderia ser sedentária, argumentava ele.

– Hai hai… – Disse Conan quando o Armstrong disse sobre crianças não poderem ser sedentárias. O que fez o homem reclamar da resposta sarcástica.


Após esse final de tarde, o pessoal voltou à barraca e contaram sobre os companheiros para o Hakase e a Haibara. Após finalizarem o que tinham que fazer para se manterem lá o final de semana, eles se reuniram com o casal Furuzaki para jantar. Tomoe até mesmo preparou a enguia para o Genta, que a conseguiu através de uma negociação duvidosa… Já que enguia é mais barata que carne de boi. Mas como ele estava feliz, ninguém comentou muito sobre.

As estudantes se reuniram um pouco mais tarde trazendo bebidas e petiscos. Kagari, Armstrong e os Aoyama não apareceram…

Quando já iam dormir, Conan e Haibara foram à barraca do Hakase, que iria dormir em uma barraca separada das crianças, devido ao seu tamanho. O motivo?

– O próximo jogador está entre nós… – Falou Edogawa seriamente.

– O-o que?! – Exclamaram Hakase e Haibara.

– Shhh! Não gritem, ou querem jogar tudo pro ar?

– Como você descobriu isso Kudo-kun? – Perguntou Haibara assustada.

– Pelas atitudes suspeitas, é lógico… Obviamente eu tenho que primeiro ter a certeza. Mas já tenho meu suspeito principal. Se eu usar isso a minha vantagem, teremos uma vitória… Mas para isso, temos que pegá-lo antes dele completar o crime, mas depois dele iniciar o crime em si…

– Mas isso não é um pouco arriscado Shinichi? – Perguntou Hakase que tentava descobrir quem era o suspeito do amigo com as informações que lhe foram entregues.

– Sim… E infelizmente, será você a “tomar” esse risco Hakase… Não se esqueça que é você que tem que ganhar esse jogo. – Respirando fundo ele continuou. – O último jogo deu empate… Foi uma partida injusta, mas aparentemente não foi por escolha do Kuro. Mas por garantia nós iremos forçar nossa vitória dessa vez. Aproveitar que você sabe quem de fato é Edogawa Conan. Tentarei o mesmo quando for a vez do Heiji, tento assim duas vitórias. A questão é… Como faremos isso?

Em meio ao silêncio, Haibara iria questionar quem era o suspeito principal, mas ela foi interrompida por um grito de pânico vindo da floresta. Conan de imediato já saiu da barraca e disse para a Haibara proteger as crianças enquanto ele e o Hakase iam em direção ao grito.

Começava ali o próximo jogo.


Em uma disparada frenética, Conan e Hakase se encontraram em meio à floresta com os irmãos Aoyama que também seguiram em direção aos gritos de terror. Atrás deles vinham Tanaka Kana, que com uma lapada de uma câmera guiou a animada Ikeda Himeko para o local.

– O que está acontecendo? – Questionou a mulher baixinha.

– Não sabemos ainda. – Complementou Hakase. – Mas eles devem saber… – Ele direcionava sua fala aos irmãos que cobriam a visão do que tinha a frente.

Conan tentou passar por entre os irmãos, mas o Niro ao perceber a criança tentando ver o que acontecia, o segurou nos braços e tampou seus olhos. Ele o levara para longe do ocorrido com seu imenso corpo. Consequentemente, dando espaço para que os outros vissem Stuart Armstrong se sacudindo loucamente tentando expulsar um enxame de abelhas de si. Ele lutava freneticamente e as vezes soltava um grito de dor.

– Meu deus! – Exclamou Himeko. – O que a gente faz?! Temos que salvar ele!

O Conan tinha sido levado para longe, mas entendeu que ainda tinha como algo ser feito pelo o que ele ouviu. O problema é que, não importava o quando ele lutasse, Niro não o soltava, e aparentemente, iria levá-lo de volta para o acampamento nesse passo. Hakase não pode impedir, porque seria estranho tentar evitar a ação benevolente do Aoyama de retirar a criança do perigo.

Então tinha que ser o Hakase a salvar o homem, ou pelo menos assim ele pensou. Como espantar as abelhas? Normalmente o simples ato de o homem estar se desesperando já era um grande erro. E eles não poderiam chegar perto cegamente, porque traria o perigo para eles.

Mas foi a Kana que pensou em algo para se fazer. Com a lanterna da câmera, que é extremamente forte e quente, ela buscou folhas secas para iniciar uma pequena chama. E sacrificou o próprio casaco para criar um tipo de tocha presa a um pequeno galho grosso. Com essa tocha ela iria se aproximar e espantar as abelhas. Mas teve a tocha roubada por Ichiro que preferiu assumir o risco. Aos poucos, cobrindo levemente os olhos ele foi se aproximando do velho que já tinha caído em posição fetal. Espantando as abelhas que voaram a longe.

Agasa e as duas estudantes chegaram perto para ver o velho homem completamente inflamado de picadas, inconsciente. Ichiro jogará a tocha no chão e a cobriu de terra, apagando-a. Depois ele pegou o resto do casaco e devolveu para a Kana com um “Bom trabalho e… Bem…”; Ela entendeu a intenção e agradeceu.

Hakase perceberá um envelope jogado no chão e tentou pegá-lo disfarçadamente, mas a agitada Himeko percebeu e questionou o que era. O homem sem jeito disse que era um envelope, mas era melhor ver depois (Na esperança dela esquecer sobre o assunto) e que no momento era melhor levar o Armstrong para uma barraca para tentar cuidar de seus ferimentos. Concordando com a ideia, as estudantes voltaram para a própria barraca, pegaram um colchão e pediram a ajuda do Niro que estava discutindo com o Conan para que a criança não saísse da barraca, independente de quão preocupada ela estivesse.

No fim, Conan ficou para trás, o que fez Haibara questionar a escolha e vir conversar com ele.

– Está tudo bem deixar o Hakase sozinho? – Questionou ela preocupada.

– Obviamente não… Mas é melhor por hora só esperamos eles voltarem… – Disse ele enquanto encarava a barraca dos que ficaram para trás.

Gukuru Ino estava na entrada da barraca cuidado Ito Sayaka que aparentava estar pior. O casal Furuzaki estavam se abraçando ao lado da barraca enquanto Tomoe rezava para que não fosse nada sério. A barraca do pescador estava apagada e sem sinal de vida.

– Qual o significado disso…? – Conan se indagou pensativo.

– Kudo-kun, quem é o suspeito? – Perguntou a Haibara tentando entender a grande dúvida que cobria o parceiro.

– Stuart Armstrong… – Disse ele sem retirar a interrogação da face. – A primeira vítima.


O grupo traria o homem em um estilo de maca improvisada. E colocariam na barraca do Hakase por um tempo. Tomoe estava aplicando os primeiros socorros. Eles se reuniriam em frente as barracas para discutirem o que fazer. Mas antes disso Agasa em um sussurro rápido disse o que tinha ocorrido. Ele ia entregar o envelope, mas a líder das estudantes Ino chamou a todos.

– Aparentemente tivemos um acidente infeliz com uma das pessoas do acampamento. Sei que isso deve perturbar a todos, mas devemos manter a calma e decidir por hora como prosseguir. Estamos no momento no meio da montanha Kuroyama, então seria interessante entramos em contato com uma ambulância, já que não estamos longe da cidade. – Ela disse isso olhando para a vice Ikeda que pegou o celular e o levantou para que todos vissem que ela faria a ligação. – Enquanto a ajuda não chega, nós teremos que administrar os cuidados ao homem para evitar o pior. A senhora Furuzaki já administrou os primeiros socorros, porém como não sabemos exatamente os cuidados que devem ser feitos para esse caso, só isso e a observação está sendo feita. Outra coisa que… – Ela foi cortada pelo chamar de Ikeda que chegou perto dela com o celular. Ino fez uma cara complexada, mas tentou manter a pose confiante e poderosa de líder. – Alguém teria um telefone com sinal?

Com essa pergunta, todos pegaram o celular, inclusive a Ino e verificaram por um sinal de telefonia, eles ficaram levando o telefone ao ar e andaram um pouco em círculos. Mas nada…

– Isso é de fato problemático… Bem… Façamos da seguinte maneira então. Quem veio para cá de carro? – Hakase, a própria Ino, Hugo, provavelmente o Nagazaki que estava sendo “importunado” pela tímida Kana com as perguntas e ordens da veterana e o incapacitado Stuart eram os motoristas do local. – Bem, senhor… Agasa? Poderia descer a montanha e buscar ajuda médica? Nós ficaremos de olho nas crianças para você enquanto isso.

Agasa concordou de automático, o que fez a Haibara girar seus olhinhos em descontentamento, mas Conan permanecia concentrado prestando atenção em todo mundo. Não demoraria muito para o Hakase voltar correndo.

– O-o que aconteceu? – Perguntou Ino perdendo um pouco sua postura.

– Os… Os… Carros… Estão com… – Hakase ergueu o corpo para tentar pegar ar. – Com os pneus… Furados…

– O que… Você disse?! – Ino ficará pálida. Ela e Hugo correram para o local onde os carros tinham sidos deixados, e de fato, todos os carros estavam com os pneus furados. Eles voltaram e novamente uma reunião tinha sido feita. Mas dessa vez a Ino não conseguia pensar em uma boa ideia além de mandar um dos irmãos, que estavam acostumados a subir e descer a montanha, a irem atrás de ajuda. A questão é que estava tarde da noite, além disto ser naturalmente perigoso, algo muito estranho estava ocorrendo ali.

Nesse momento Hikeda lembrou-se do envelope que o Hakase achará e pedirá para que ele lê-se. Ele o abriu e leu primeiramente em silêncio, ficou pálido e boquiaberto. Com os olhos arregalados ele encarou a todos ali presente e até pensou em passar o envelope para o amigo que o encarava preocupado. Mas se conteve.

– O que está escrito! – Gritou Ino já perdendo a pose.

– Erm… – Piscando incessantemente, Agasa coçou a garganta e começou a ler em voz alta:

“Queridos campistas,

            Vamos brincar? Nesse lugar temos 17 pessoas, contando com as crianças. Um número ímpar, um número mágico. Nessa brincadeira eu, o lobo mal, o demônio vermelho, o assassino, irei matar um a um durante esse final de semana. Vocês não possuem rota de fuga comum. Tenham certeza disso. Apesar de só eu estar caçando, não significa que não há alguém de olho. No fim dessa nossa diversão, se tiverem mais sobreviventes que mortos, a vitória é de vocês, caso contrário a vitória é minha. Caso vocês ganhem, eu me entrego à polícia, caso vocês percam todos serão mortos. Ah, caso me capturem antes do fim do jogo, considerarei um empate. Eu comecei tirando o que parecia o mais trabalhoso, um ex-militar.

            Mas espero que não se importem que eu use dele para matar mais um não é mesmo?

            Assinado,

            O demônio vermelho.”

Ao terminar de ler essa mensagem em voz alta, Hugo correu para sua mulher ofegante. Ela ainda estava sentada ao lado do Stuart tentando acalmá-lo. O velho americano estava muito agitado se contorcia muito. Hugo retirou sua mulher da barraca às pressas, sem que ela entendesse o motivo. Assim que os dois saíram, todos do acampamento ouviram um urro de terror, e da barraca o velho homem, inchado pelas picadas, com as pupilas completamente dilatadas, restos do vômito no canto da boca, pálido com exceção das regiões rosadas das picadas e um início de cianose no rosto, respirando pesadamente e balançando o corpo em agonia como se tentasse expulsar algo.

– Ele está tendo alucinações. – Disse Haibara assustada.

A sua aparência anormal, seu estado de loucura, trazia muito medo às pessoas ali presentes. Conan pensou em pô-lo para dormir, porém Haibara o impediu devido às misturas químicas e efeitos de alta dosagem.

Armstrong começou a tentar agredir a todos que estavam ali, avançando furiosamente enquanto babava seu próprio vomito. Todo mundo fugia gritando, Ayumi estava chorando enquanto era protegia pelo Genta e Mitsuhiko dentro da barraca.

“Tch… A situação está fora de controle, tenho que derrubá-lo.”

Conan agachou para chutar uma de suas bolas no homem, mas Nagazaki foi mais rápido e o nocauteou com uma paulada forte da vara de pescar. Stuart se contorceu no chão, segurando o peito em dor, e até chorou, mas sua luta constante o levou a seu último suspiro…

Morrendo ali, na frente de todos, como um ogro inchado, velho, com a pele cheia de cores mortas. Todos aparentavam estar assustados, apavorados mais precisamente. Eles se esconderiam em suas barracas após Hugo, Niro, Ichiro e Hakase enterrassem Stuart. Eles estavam presos em uma montanha com um louco psicótico… Um que usaria das picadas das abelhas para esconder uma dosagem forçada de ópio em um velho soldado.


– Kudo… Porque o Stuart era o suspeito? – Perguntou Haibara enquanto ambos se escondiam na barraca do Hakase e de olhos abertos para a barraca onde as crianças dormiam.

– Porque ele mentiu quando disse que era fluente em japonês… E agora também sei que mentiu sobre ser um ex-soldado…

A garota arregalou os olhos em surpresa, e o pequeno detetive respondeu a expressão:

– Quando eu disse “Hai hai…” ele interpretou como eu sendo sarcástico. Se ele fosse fluente em japonês, sendo americano e ex-soldado, ele poderia entender como desanimo, não sarcasmo e exigir de mim animo. Afinal de contas, “Hai hai…” parece com “Hi hi” em inglês…

– Por isso você deduziu que ele não era fluente? Mas isso não necessariamente direciona a não ser um ex-soldado…

– Um ex-soldado vindo para montanha manter a forma não pegaria crianças para coletar lenha. Mesmo que fosse com o pretexto de mantê-las saudáveis. Isso já era bastante estranho, creio que ele simplesmente não conseguia agachar… Mas o que me deu a certeza foi o que o Hakase contou sobre como ele agiu ao ser atacado por um enxame de abelhas…

– Em completo desespero, se sacudindo para todos os lados, entrando em posição fetal no fim… – Relembrou Hakase.

– Um ex-soldado saberia que no mínimo, deve manter-se a calma em um ataque desta magnitude, tampar o rosto e, correndo em zig-zag, buscar o rio… Que não estava muito longe… Existem outras medidas, mas essas são as mais básicas e famosas… Mas ele não sabia nem disso…

– Então ele era um homem velho vivendo um sonho, creio eu… – Finalizou Haibara em uma expressão triste…

– E nós estamos vivendo um pesadelo… O parceiro de Kuro estipulou as regras particulares do seu jogo… E elas incluem uma contagem… Odeio admitir, mas vamos atrás do empate Hakase… Quanto mais cedo capturarmos ele, menos vidas estarão em perigo…

– Entendo, e concordo. – Disse Hakase, que impediu Haibara de se manifestar. – Quando adquirirmos o empate, terei que fingir minha própria morte. Garanta a segurança da Ai-chan e das crianças depois disso Shinichi…

– Não precisava pedir… – Confirmou Conan seriamente olhando para as crianças.

– Como assim?! Nessa situação não deveríamos simplesmente focar na vitória?! Evitar que mais alguém morra! – Reclamou ela incrédula.

– Haibara, o que impede do “Demônio vermelho”. De simplesmente matar alguém agora, enquanto falamos?

Ela ficou pálida e entendeu… Só era possível impedir o “demônio vermelho” sabendo quem ele era e capturando ele antes da próxima vítima…