Capítulo III – Agasa Hiroshi (Solution Part)

Capítulo III:

Agasa Hiroshi

Solution Part

Agasa Hakase saiu da barraca, estava entorno do meio dia de sábado. Chegando em meio ao acampamento ele gritou por todos. Que vieram como zumbis para o centro.

– O que você quer seu velho gordo?! – Perguntou Gukuru Ino que já tinha perdido toda a compostura de irmã mais velha.

– Acabar com esse jogo. – Disse ele em um pequeno salto. Como se sua própria voz o tivesse o assustado.

“Eu sei que ele não tem como me avisar que irá falar, mas mesmo assim…”

Da barraca, Conan com sua gravata falava com a voz do amigo, sendo acobertado pela parceira.

– O que você quer dizer com isso Hiroshi-san? – Perguntou Tomoe nos braços do seu marido com uma expressão extremamente fraca e frágil.

– Tem muitas coisas estranhas nessa situação em que nos encontramos. Então irei explica-las a vocês. – Ele colocava as mãos juntas nas costas. E começava a suar frio.

– Você descobriu algo que pode nos salvar?! – Perguntou Hugo abrindo um pequeno sorriso aliviado.

– “Que pode nos salvar”… Será que todos aqui querem isso mesmo?

Essa frase fez todo mundo ficar estupefato. O que ele poderia querer dizer com isso? Agasa sentiu o suor frio escorrer pela sua bochecha e se lembrar das palavras do amigo… “Kudo-kun, eu confio em você, e irei contigo nessa aposta até o inferno se for preciso… Mas por favor… Não desça sozinho em momento algum…”

– Permita-me explicar. Tudo começou com Stuart Armstrong sendo atacado por abelhas. Isso em si já era extremamente estranho, como poderia um homem que dizia vir se exercitar nas montanhas ser tão descuidado? Além disso, um que se dizia ex-soldado. Ele se deixou ser picado loucamente pelos insetos, parado no mesmo lugar. Como se quisesse ter certeza que pegaríamos algo.

– A carta… – Compreendeu Kana.

– Exato. Porém, como uma reação rápida da Tanaka-san, ele não morreu ali. E foi trago para ser cuidado na minha barraca pela Tomoe. Aonde ele começou a ter alucinações, quase pondo a vida dela em risco e vindo a falecer. Mas falaremos sobre isso depois. A questão agora é a carta.

Todos estavam prestando plena atenção. Aqueles que tinham a vida na ponta da faca, estavam com o coração apertado. E estavam sendo muito bem observados.

– Nela dizia: “Nesse lugar temos 17 pessoas […]”; Mas só possuía 16 pessoas, mesmo contando com as crianças. Porque acham isso?

– Porque ele estava contando consigo? – Perguntou Aoyama Ichiro.

– No início eu pensei que era o caso… Mas quando os olheiros contaram, eles disseram: “Já estão em 13 […]”;

– Eles não estavam contando com o chefe deles, simples. – Abriu a boca pela primeira vez Ito Sayaka.

– Mas porque não contar com ele? O próprio chefe o teria feito. Mas a estranheza não para por ai… Na carta ele diz: “[…] se tiverem mais sobreviventes que mortos, a vitória é de vocês […] Caso vocês ganhem, eu me entrego a polícia […]”; Para que se contar e dificultar a sua própria vitória?

– Talvez ele quisesse dar uma vantagem…? – Questionou Tomoe.

Em silêncio, Agasa olhou para os três túmulos e em sua volta.

– Ele parece querer nos dar vantagens? – Todo mundo abaixou a cabeça tentando esconder o medo e desconforto. – A questão é, colocando um número a mais na contagem faz parecer que de fato o assassino é de fora. E não dá uma vantagem numérica. De acordo com a carta, o que se tem mais define o vencedor. Mais sobreviventes, ou mais mortos. Se 8 pessoas morrerem, 8 sobrevivem. Mas se levarmos em conta que são 17 pessoas como a carta dizia…

– Seriam 9 sobreviventes. – Ino já impaciente.

– Não… Não acharíamos o 9º sobrevivente… Logo, ele poderá contar como uma 9ª vítima… – Compreendeu Kana.

– Exato. Mas para que ter esse “coringa” nas mangas?

– Quem se importa?! É só ninguém morrer de qualquer forma, certo?! – Ino agachava e era encoberta por Sayaka.

– Então para que existiria a opção de empate? Bem… A resposta é simples. O autor da carta… – Agasa foi interrompido pela garota com braço ferido.

– É um de nós… – Disse Kana olhando assustada para todos em volta.

– Isso não faz sentido Ka… – Iria reclamar Sayaka, mas Kana continuou.

– Faz todo sentido! Com a gente pensando que o assassino é de fora, ele poderia andar entre nós matando mais pessoas para ganhar o jogo que ele mesmo criou! E com o adicional de ter uma carta trunfo, permitindo-o só ter que matar 8 pessoas ao em vez de 9! E caso descobríssemos quem é o assassino antes, seria somente um empate! – Ela segurava seus cabelos em descrença.

            “Seria simples se fosse só isso. Ainda são 8 pessoas a serem mortas. Não é algo simples de fazer com as pessoas se reunindo e não podendo se afastar normalmente. Ficaria evidente quem é o demônio vermelho antes das 8 mortes ocorrerem. Então, a única maneira dele garantir a vitória é…”

            As palavras de Conan ecoaram na cabeça de Haibara e Hakase como um martelo. O que Kana estava dizendo era exatamente o que os dois disseram ao jovem detetive, para descobrir uma resolução terrível…

– Você sabe quem é?! Antes o empate que a derrota! – Exclamou Kana.

– Eu tenho um palpite… – Disse Agasa suspirando. – De quem são…

– “São”…? – Kana ficou com uma expressão complexada por um tempo até entender. – Você está dizendo que…

– São mais de um “assassino”. Não é algo estranho após vermos tantas pessoas evitando que saímos dessa floresta. Meu palpite é que, para garantir a vitória, mais de uma pessoa estaria nesse jogo como “Akai Oni”. Um exemplo… Stuart acabou morrendo por conta da euforia causada por uma droga. Em sua idade avançada, após tantas picadas, era esperado que a Apitoxina, veneno de abelha, dê-se conta de mata-lo devido a rápida reação. Mas o mesmo não ocorreu. No início, achei que elas tinham sido usadas para esconder a dosagem de, provavelmente ópio, na sua veia. O que já é bastante estranho, já que o ópio é normalmente consumido em barra, pílulas ou… Pasta…

Nesse momento as pessoas entenderam. As abelhas não foram para esconder a aplicação da droga, a droga foi para garantir a morte daquele que não morreu da forma devida. Todos olharam para a maior suspeita.

– Foi você que o matou?! – Gritava Gukuru Ino para Furuzaki Tomoe.

– O-o que?! NÃO! Eu nunca… – Começou a dizer Tomoe, quando Hugo tomou sua guarda.

– Não acredito que você está acusando minha Tomoe!

– Eu não disse que ela fez isso de propósito. Mas gostaria de averiguar a pomada que ela usou no Stuart, se vocês não se importarem. E questioná-los para descobrir quando ela poderia ter sido trocada. Apesar que… – Agasa olhou para trás. Ele procurava a confirmação do garoto na tenda. – Acho que não será necessário.

– Como assim?! – Brandiu o senhor.

– Hugo, você nos ajudou a enterrar Stuart mesmo não podendo carregar peso, certo? – Disse Agasa de cabeça baixa.

– Agora você está suspeitando de mim?! – Disse ele incrédulo.

– Ito-chan, você está estranhamente saudável. Gukuru-chan, você perdeu completamente a compostura. Kagari-san cometeu suicídio… E os mais suspeitos de todos… O silêncio dos Aoyamas…

Todos começaram a se encarar, eles perderam a confiança em todos em volta. Quem eram os assassinos?

– E VOCÊ?! VOCÊ QUE ESTÁ APONTANDO PARA TODOS NÓS É O MAIS SUSPEITO DE TODOS! – Gritou Gukuru Ino em fúria.

– Sim, eu sou um suspeito. Eu poderia ter trago as crianças só para diminuir as suspeitas sobre mim. Ou pior…

– Você pode ter trago elas para garantir a vitória. – Disse Kana com os olhares furiosos. – Eu não deixarei você machucar elas!

“Exatamente… Se contar o Hakase com todos nós, isso é são 6 pessoas fáceis para a vitória. Somente nós sabemos que esse não é o caso. Se fossemos mesmos parte da conta, ele já teria uma vitória. A questão é…”

– Para que eu iria revelar o plano e entregar a vitória ganha? – Disse Agasa calmamente.

– O-o que? – Kana ficou confusa.

– Já existem 3 mortos. Se eu fosse parte disso, poderia matar as 5 crianças e usar o “coringa” para garantir a vitória. Mas eu não só não fiz isso, como também tiraria a necessidade de mais de um assassino. Ou seja, um pequeno paradoxo. Cuja a solução é simples: Ninguém deve sair do campo de visão de ninguém. – Era uma proposta simples, mas ao mesmo tempo, complicada de se aplicar. Porque ainda era sábado a tarde. A loucura tomaria conta de todos ali, se eles ficassem achando suspeito toda vez que alguém tentasse se afastar. Todos compreenderam isso. E antes que pudessem fazer o protesto, Conan, usando de sua gravata, finalizou. – Impossível, não é mesmo? Já ouviram falar de “Haven’s Gate”? Foi um suicídio em massa realizado por membros de uma seita na California.

– Onde você quer chegar? – Kana estava mais calma, devido a confusão.

– Aqui temos a mesma coisa. A maneira perfeita de garantir a vitória… – Agasa então fechará os olhos em tristeza.

“- Suicídio coletivo?! Você tem certeza disso Kudo-kun?! – Proclamou Agasa ao amigo.

            – Não. Mas muito provável. Stuart seria aquele a iniciar tudo, por isso ele fez questão de não se afastar da carta. Porém, ele não morreu por conta das abelhas, então um dos membros do suicídio coletivo tinha que ajudar nisso… Furuzaki Tomoe. Eu não sei ainda o motivo de cada um… Mas Kagari Nagazaki foi o mais direto sobre o assunto. Ikeda Himeko me fez perceber que nem todos estão nessa. Ela provavelmente planejava ser morta, como de fato foi, por um dos vigias. Mas Tanaka Kana foi ferida, e logo após ela se separou da amiga. Ou seja…

            – Kana-chan não é uma das suicidas… – Concluiu o homem.

            – Sim, se ela fosse um membro, permanecer junto dela facilitaria para aumentar rapidamente o número de mortos… Mas ela se afastou e acabou morrendo sozinha. E então, veio a maior dica de todas… – Continuou Conan.

            – A contagem errada do número de pessoas… – Compreendeu Haibara.

            – Exato. No primeiro jogo, Yumeria foi morta por não jogar limpo. Então, se presumirmos que o jogador atual está tentando jogar limpo…

            – Ele deixaria dicas… Mas Shinichi… Kuro estipulou que para ganharmos tínhamos que evitar o crime. E esse participante mudou as regras.

            – Sim… É aí que estou tendo um pequeno problema. Ele tem uma equipe entregue por Kuro, provavelmente, isso significa que ele aceitou essa mudança… De qualquer forma, não quero continuar com esse jogo. É muito arriscado. Não tem como eu ter certeza de quantos “suicidas” tem no meio dos suspeitos. Caso eles estejam contando em levar mais gente com eles, como as crianças…

            – Vamos captura-lo agora Kudo-kun. Você já tem uma ideia de quem é a cabeça do crime, certo? – Disse Agasa com uma expressão afável.

            – Sim… Provavelmente é…”


– Você está falando que Himiko deixou ser morta?! – Kana novamente ficou furiosa. – Não diga um absurdo! Porque ela faria…

Sua mão tinha sido segurada. Quando ela viu quem a segurou, ela ficou quieta. Gukuru Ino tinha voltado a sua expressão tranquila e acolhedora de irmã mais velha.

– Perdoe-me Kana-chan… Ela tinha sim um motivo para cometer suicídio… – Ela nesse momento deu as mãos para Sayaka, e as duas a encararam.

– Do que você está falando, que motivo seria esse?! – Kana parecia estar perdendo força nas pernas.

– Você sabe que a mãe dela morreu jovem, e era somente ela e o pai, certo? Então… A companhia do pai dela quebrou a cerca de um mês atrás, o afundando em dívidas… Por causa da pressão, ele cometeu suicídio, deixando-a sozinha com uma dívida imensa…

– Eu… Eu não sabia… Mas isso ainda não… – Kana parecia estar segurando o choro.

– Então veio um homem… Oferecendo pagar por completo a dívida e limpar o nome do pai dela. Mas em troca, ela teria que fazer parte desse jogo como uma vítima. – As duas apertaram as mãos com força e se encararam.

– Como… Como vocês sabem disso?! – Kana não queria acreditar que elas eram a mente por trás de tudo aquilo.

– Porque nós somos “vítimas” também. – Ela deu um sorriso extremamente meigo. – Eu e Sayaka somos namoradas. Quando Sayaka revelou nosso relacionamento para os pais dela, ela foi expulsa de casa e veio se abrigar comigo… Mas não durou muito tempo nossa segurança… Porque meus pais também não aceitaram o relacionamento… E para piorar… Minha mãe… Jurou me matar… – Ino começou a tentar segurar o choro. Sayaka a abraçou e beijou sua testa e tomou a fala.

– Não suportando viver em um mundo aonde nossos familiares não nos aceitavam, quando Himeko veio nos consultar sobre o que fazer, nós… Aceitarmos vir com ela. Para ela não ir sozinha… Patético, não? Deveríamos impedi-la… Mas acabamos nos juntando…

– Mas vocês ainda não se mataram. E NÃO IRÃO! Ainda bem que me contaram, agora eu não deixarei voc… – Elas sacudiram a cabeça em negação.

– Agora é tarde demais… Quando o senhor ali começou a revelar o plano, percebemos que não duraria muito tempo… Então, tomamos o medicamento necessário nos entregue por esse “Akai Oni”… Nós devemos morrer dentro de 4 horas. E não podemos sair da montanha até segunda. – Disse Sayaka com uma expressão tranquila de aceitação.

Kana caiu no chão por conta da perda de força… Suas amigas, as três…

Agasa foi ao lado da garota no chão e pós a mão nos seus ombros.

– Elas ainda podem ser salvas, só precisamos descobrir quem é o “Akai Oni”.

Ao ouvir isso ela compreendeu: “Se ocorrer o empate, não há necessidade de permanecerem nos prendendo aqui, certo?!”

– QUEM É O FILHO DA PUTA QUE CONVENCEU MINHAS AMIGAS DESSA LOUCURA?! FOI VOCÊ SEU VELHO?! – Gritou ela a Hugo, que parecia perdido com tudo aqui.

– Não… Eu não… Não é mesmo Tomoe… Tomoe? – Ele sacudia a mulher em seus braços, mas ela estava branca, sem respostas, morta. – TOMOE! COMO?! PORQUE?!

– Eu não sei os detalhes… Mas a filha de vocês… Qual foi a última vez que vocês entraram em contato com ela? – Perguntou Sayaka, calmamente.

– O que…? – Hugo tentava entender o porque da pergunta. – Nesse final de ano, porque?

– Antes de virmos para cá, eu, Ino, Furuzaki-san e Kagari-san tínhamos nos encontrado… Kagari-san tinha dado o motivo que a vida dele nunca teve um propósito e foi pura solidão. Que morrer dessa forma pelo menos daria algum sentido a vida dele, mesmo que um sentido perturbador… Agora a Furuzaki-san ela tinha dito: “Assim posso me encontrar com minha filha…”

Hugo ficou completamente confuso, ele sacudia a cabeça levemente com seu cenho contraído.

– Mas ela está viva… Não entendo porque… – Nesse momento, seus olhos se abriram, e sua expressão empalidecera. – Tomoe! Porque?! Porque nunca me disse que isso ainda lhe perturbava?! Fazem tantos anos… – Ele começara a chorar com ela em seus braços, enquanto todo o resto via a cena com pesar.

– Entendo… – Saiu a voz do Hakase que saltou com a surpresa e logo voltou a prestar atenção. – Vocês tinham outra filha…

– Sim… Ela morreu atropelada na volta da escolinha… Ela era a irmã mais velha da Hikari… Porque? Eu não entendo… – Ele chorava pesadamente.

– Outra coisa que compreendi. Nem você, nem a Kana são parte disso. – Na barraca, Conan tinha um olhar pensativo que Haibara tinha medo de compreender.

– E o que tem isso? – Perguntou Kana esperançosa de achar o vilão e salvar as amigas.

– Os números batem assim, e dá mais razão a existência do “coringa”…

“Furuzaki Tomoe;

Kagari Nagazaki;

Gukuru Ino;

Ikeda Himeko;

Ito Sayaka;

Stuart Armstrong;

Seis pessoas… Para dar vitória precisa de mais duas pessoas e o coringa. Mas uma pessoa entre nós é o “Akai Oni”, logo, alguém de fato iria morrer sem estar ciente de tudo… Se tirarmos Furuzaki Hugo e Tanaka Kana, as possibilidades eram qualquer um de nós… E após… Não! Não seria após! Seria a conclusão perfeita! Maldito doente!”


– Se vocês não são “vítimas”, ainda é necessário mais duas vítimas e o coringa para dar vitória. Não é mesmo, irmãos Aoyama? – Disse Agasa Hakase os encarando.

Nesse momento, o irmão mais novo colocou a mão na cintura atrás do corpo e puxou uma pistola. Todo mundo deu uma pequena recuada, Conan saiu da barraca no salto seguido da Haibara. Mas a mão do irmão mais novo foi parada pelo do irmão mais velho.

– Você é um idiota sabia? Com isso… É um empate.

– Como assim Ni-san? Se eu matar um e me matar… – Ichiro deu uma suspirada pesada.

– Se você fizesse isso, deixaria claro que seu irmão é o “Akai Oni”. Bem… Já está claro. – Disse Conan, surpreendendo todos.

– Até mesmo uma criança entendeu a lógica por trás disso. – Riu Ichiro Aoyama. – Ah! Um empate, pelo jeito. O “Caos de Tokyo” não ficará muito feliz com esse resultado, porque dá trabalho… Mas bem… Foi justo, não?

            “JUSTO?! O que há de justiça nisso?! Vocês incentivaram o suicídio coletivo de diversas pessoas para o prazer de seu jogo! E agora irão elaborar uma morte para o Hakase com intuito de continuar essa loucura! Não há justiça nisso!”


Ichiro levantou a mão e fez um sinal com o dedo do meio e indicador. Fazendo todos os olheiros virem para a área de acampamento. Um deles chegou perto dos irmãos enquanto todos se juntavam em pavor.

As crianças, que acordaram, provavelmente com o barulho de tanta gente se aproximando, correram para junto do cientista. “O que está acontecendo?” eles perguntavam, para receber somente um cafune em resposta e um sorriso meigo.

Após um tempo, aquele que chegou perto do Ichiro pegou um rádio e disse alguma coisa nele. Voltou ao Ichiro e se despediu. Com isso, cerca de 25 pessoas seguiram juntas para a estrada e esperaram um ônibus virem busca-las. Junto do ônibus veio um carro de aparência militar com uma antena no topo.

O carro veio até próximo das barracas, e dele saiu uma pessoa que Haibara e Conan conheciam… Alguém desagradável… Kuro!

– É sério isso?! Assim?! – Disse ele abrindo os braços de forma escandalosa como ele costuma fazer.

– Me pegou de surpresa também, Kuro-san. Esse cientista é bem inteligente. – Disso Ichiro calmamente.

Kuro parou e encarou Agasa com uma cara de dúvida e suspirou.

– Bem, não gosto de quebrar minhas próprias regras. E um jogo sem elas não é jogo… Então…

Se virando a todos, com um largo sorriso e os braços para o ar. Ele começou um discurso.

– Para todos vocês que estão perdidos, eu sou aquele que a mídia chama de “Caos de Tokyo”!

Nesse momento as crianças esboçaram uma reação escandalosa, que fez o rosto de Kuro ficar sério e olhar o Shonen Tantei Dan com frieza. “Quietos”; disse ele rispidamente. Silenciando-os.

– Então… Onde estava? Sim… Eu sou o “Caos de Tokyo”! E devo parabenizar Agasa Hiroshi por adquirir um empate em um jogo meu! Porém, um empate em meu jogo tem certas consequências. O meu querido subordinado irá para a cadeia e enfrentará sua pena, legalmente. Eu garanto isso.

“Que provavelmente será pena de morte…” Pensou Conan. “E mesmo assim, ele parece muito tranquilo…”

– Dane-se isso, nos libere para eu levar as minhas amigas para o hospital! – Gritou Kana.

Kuro permaneceu com um sorriso na cara e com os braços para o ar por um tempo em silêncio até chegar perto de Kana. Conan guiou sua mão para parte de trás da cintura, mas teve ela interrompida pela Haibara. “Eu posso acabar com tudo isso aqui…”

– Shinichi, não… – Sussurrou a garota.

“Eu não sei onde o Ossan está… Eu não sei muitas coisas ainda…” Ele soltou o objeto que ele escondia e prestou atenção na situação.

– Quem é você?

– Tana…

– Não importa. Preste atenção. Eu só não lhe mato agora, porque eu tenho princípios. – Levantando o dedo indicador ele deu a observação “Distorcidos, mas são princípios”; e voltou a encará-la de perto. – Suas amigas escolheram a morte. Isso foi escolhas delas, não minha, nem do meu subordinado, foi delas. Bem, não é como se elas viessem implorando agora falando “Mudamos de ideia, nos salve” eu iria atender… Mas o início não muda. Quem é você para achar que tem o direito de escolher se elas vivem ou não?!

Ele se afastou dela colocou as mãos nas costas, juntando-as como um empresário pensativo e continuou.

– Em toda minha vida eu encontrei muita prepotência sabe? Muita gente achando que tem direto de muita coisa… Sobre muita coisa… “Todo mundo pode fazer o que bem entender, mas independente do que você faz, há uma consequência. Uma reação.” E isso é de certo, um tipo de verdade. Se você pode chutar alguém, alguém pode lhe chutar e por ai vai… Mas existe uma exceção ao meu ver.

Com um largo sorriso ele se virou a todos e estendeu a mão para as duas, que recusaram segurá-la. Mas ele não se abalou e prosseguiu.

– Você não pode escolher “salvar” alguém. Mas sim, se ela não irá “morrer”. Dizem que uma coisa que médicos tem que aprender é “Quando matar um paciente”. Eu acho isso ridículo. Todo ser humano tem o poder de matar o semelhante, mas nem todos tem o poder de salvar. Se todos possuem direitos iguais, então “Salvar” não é um direito, é uma regalia. – Ele virara a cabeça como se tudo o que ele falasse fizesse sentido. – Você diz querer salvar elas, mas elas não querem serem salvas, pelo menos, não queriam. E isso é um direito delas. Para salvar alguém, você tem que pisar nos interesses de terceiros, e receber as consequências disso. Mas quando você mata alguém, ou quando você decide morrer… Não há consequência da “vítima”. Tudo simplesmente acaba para elas. Não há um porém… É o fim.

“Voltas e voltas… Um discurso aonde nada é dito… É só enrolação de um louco tentando parecer lúcido.” Pensou Conan.

– Voltas e voltas… Esse é um discurso aonde nada é de fato dito. É só eu enrolando mesmo, sem qualquer sentido. – Disse Kuro rindo sarcasticamente. E fazendo Kudo sentir um arrepio. Voltando a ficar perto de Kana e se ajeitou e tirou o sorriso do rosto. – Falarei sério agora. Eu QUERO que elas morram, agora que elas tomaram seu “veneninho”, o que VOCÊ pode fazer para impedir meu querer? É isso que se resume a vida. O que você pode fazer para que seu “querer”, seu “direito”, se sobreponha sobre os outros. Não existe justiça, só isso. Quem decide o que é certo ou errado, é quem está sobre o controle. E no momento, aqui e agora, EU SOU O CONTROLE!

Kuro deu um tapa com as costas da mão no rosto da garota a derrubando. Hugo foi a seu encontro para ajudá-la a levantar.

– Chamem 2 carros. Um para esse senhor e essa garota. Outro para as crianças. – Ele apontará Hugo e Kana, depois a Conan, Haibara e Shonen Tantei Dan.

– E o Hakase…? – Perguntou Ayumi apavorada.

– Eu tenho que parabeniza-lo por adquirir um empate. – Disse ele se curvando com um sorriso maldoso.

– Nós vamos ficar com ele! – Disse Mitsuhiko.

– É! Não vamos deixar o Hakase sozinho com você! – Complementou Genta.

Kuro suspirou e fez um sinal para Niro que foi rapidamente pegar Genta e Mitsuhiko.

– Ei! Solte eles! – Gritou Conan

– Relaxa, eu só quero que ele leve seus amiguinhos para o carro. E espero que vocês 3 que sobraram vão educadamente junto, para eu não ter que usar a força, certo?

“Ele está sério…” Conan pensou e olhou para o amigo que acenou em compreensão. Ele olhou para Haibara que já estava com um olhar doloroso, e ambos se viraram para seguir Niro, que levou Genta e Mitsuhiko debaixo dos braços até a estrada aonde um carro esperava por ele. Lá ele colocou as duas crianças no banco de trás e indicou para Ayumi ir logo em seguida. Haibara e Conan entraram no banco do passageiro. As crianças ficaram observando tudo ao longe da janela, gritando pelo velho homem que as olhava temeroso ao longe. “Elas ficarão bem… Kudo-kun está com elas…”

Após trancá-las no carro, Niro voltou e pegou Kana por um dos braços (o que não estava machucado) e fez sinal para Hugo, que não queria deixar a falecida esposa lá. Mas ele não teve muita escolha, porque tinha medo que eles fizessem algo de ruim se não obedecesse. Enquanto seguia Niro para o carro, ele constantemente olhava para trás, para sua mulher no chão. Os dois foram colocados nos bancos de trás de um segundo carro, que logo em seguida deu partida.

“Porque eles estão sendo liberados e nós não? Espera, não me diga que…” Conan começou a suar frio, e a falar para as crianças não olharem. Haibara entendeu o desespero e tentou fazer o mesmo, mas elas não compreendiam o porquê.

Assim que Niro e Ichiro estavam do lado de Kuro, ele falou algo para o Ichiro, que entrou no carro estilo militar com a antena e o manobrou para ficar com a carroceria virada para Kuro, Hakase e Niro. Saiu do veículo segurando um saco preto e deu ao Kuro. Eles conversaram por um tempo, Agasa pareceu descordar de algumas coisas, mas logo fez uma expressão de aceitação e caminhou para a carroceria, a abriu e sentou nela, de costas para as crianças e de frente para Kuro que o estendeu o saco preto.

Ele encarou o objeto por um tempo e então o pôs na cabeça. Endireitou as costas e esperou em silêncio Kuro pegar uma arma e atirar contra ele. Fazendo o corpo do homem cair sobre o veículo e ser forçado mais para o fundo por Ichiro e Niro que fechariam a carroceria e tampariam ela… Kuro trocaria a arma com Ichiro por uma máscara de ar e deixaria os dois irmãos dirigirem aquele carro para longe, enquanto ele caminhava para o veículo onde as crianças choravam e esperneavam.

Assim que ele entrou no carro, elas iam começar a “agredi-lo”. Enquanto Haibara e Conan tentavam segurá-los. Mas durou pouco isso, porque Kuro que estava com uma máscara de ar no rosto ligou o carro e rapidamente, eles se sentiram sonolentos e só foram acordar na casa do falecido Agasa Hiroshi.

Perdidos, desnorteados, eles choravam, chamavam pelo amigo, procuravam pela casa… Conan sabia que não tinha sido um sonho e ligou a TV para ouvir no noticiário que Ichiro Aoyama tinha se entregado como mentor de um crime perturbador nas montanhas aonde foram encontrados três corpos enterrados e três corpos ao ar livre… Mas tinha algo muito diferente nesse Ichiro… Ele mancava.

“Kuro… Maldito…”


As crianças seriam pegas pelos seus pais na casa do Agasa, e depois de um tempo, interrogadas pela polícia, somente para confirmar as alegações de “Ichiro” Aoyama, incluindo a participação do “Caos de Tokyo” e todo o resto… Incluindo a morte de Agasa Hiroshi.

Haibara Ai e Edogawa Conan, após seu testemunho, deveriam ter sido acolhidos por Ran e Eri, mas ao vez disso, elas tiveram que abrir um inquérito de crianças desaparecidas… Elas não apareceram nem no enterro do professor, aonde as outras crianças choraram o que tinham que chorar… Elas provavelmente desistiram ali de caçar Kuro… Elas perderam muita coisa… Seus ídolos, seus amigos…

Mouri Ran, diferente delas, estava pronta. Kaito Kid e ela já tinham traçado um plano, e ela estava pronta para os riscos da execução do mesmo. Ela iria por Kuro atrás das grades, custe o que custasse.


– Tem certeza disso Shinichi? – Perguntou a garota sentada em uma mala.

– Sinceramente? Essa é a primeira certeza que tenho em um bom tempo! É até um motivo para tentar trazer um sorriso, hum? – Disse o parceiro enquanto olhava um pedaço de mapa.

– Você não está me transmitindo tanta certeza… – Suspirou ela.

– Calma… Eu recebi notícias muito boas quando fomos depor no quartel da polícia. Finalmente eu tenho um plano concreto para o fim disso tudo. – Disse ele abrindo um sorriso levado.

– E se der algo errado nesse seu plano concreto? – Perguntou ela cética.

– Eu farei dar certo… Eu prometo. – Ela não pode ver o rosto dele, mas sabia que ele estava sério pelo tom da voz. – Mas primeiro, temos que ir para essa casa aqui… – Ele esticou o mapa apontando a direção a garota que olhou o local com desdém.


No colégio, algumas crianças se reuniram para tentar conversar se elas descobriram o paradeiro de dois amigos desaparecidos… A resposta era desanimadora.

– Porque tudo isso tinha… Que… Acontecer…? – Perguntava Ayumi em meio a soluços chorosos.

– Não se preocupe Ayumi… Quando Conan-kun e Haibara-san voltarem… Nós vamos punir eles por sumirem… – Disse Mitsuhiko enquanto olhava para a cadeira dos dois.

– E vamos dar uma punição maior ainda para o Hakase! – Disse Genta com as bochechas vermelhas.

– Genta… Você sabe que… – Mitsuhiko já iria corrigi-lo, mas ele não deixou.

– Ele está vivo! Ele é um cientista genial, não é?! Ele deve ter inventando algo para deixar a careca dele a prova de bala! – Disse o garoto gordinho com convicção.

– Não acho que isso seja possível… – Sussurou Ayumi.

– É SIM! Ele irá voltar! Conan e Haibara também! E nós iremos sair juntos para brincar de novo! Eu tenho certeza!

Capítulo III:

Agasa Hiroshi

FIM