Capítulo III – Agasa Hiroshi (Case Part)

Capítulo III:

Agasa Hiroshi

Case Part

 

O dia amanheceu lento, o motivo é que mesmo acordados, muitas pessoas não queriam levantar e sair de suas barracas, o medo era unânime. Porém, ao mesmo tempo, era impossível que permanecessem escondidos.

As primeiras pessoas a saírem da barraca foram as estudantes Ino e Himeko. Elas discutiam pesadamente. Agasa, seguido de Conan e Haibara foram atrás, para tentar descobrir o que estava acontecendo.

– Você realmente acha que ficar aqui, esse final de semana inteiro, escondidas, vai dar certo? – Gritava Himeko.

– Parece-me mais viável que tentar descer a montanha, sozinha. – Retrucou Ino com uma voz firme, porém afável.

– O-oi! Você não está pensando realmente em sair da área do acampamento, está?! – Perguntou Hakase em desespero. – A carta dizia que não poderíamos fazer isso!

– Exatamente. – Concordou Ino.

– E vocês realmente acham que existem pessoas suficientes para cobrir uma montanha?! Por favor, o que estava escrito era só uma forma de amedrontar a gente. – Exclamou a garota que já estava ajeitando a mochila nas costas e se afastando.

“Ela tem um ponto.” – Pensou Conan. – “Mas esse ponto está equivocado. Não é necessário guardar a floresta, somente 16… Não… 15 pessoas… Desde ontem a noite eu tenho a sensação de ter olhos me seguindo. No início achei que era o próprio jogador do Kuro, mas agora suspeito der um dos ‘olheiros’. Kuro tem uma equipe minimamente capacitada e a pior parte: Sem regras.”

Conan não precisou falar para Agasa que era uma péssima ideia deixa-la descer. O grande homem começou a tentar fazê-la mudar de ideia, mas ela era impenetrável… Vendo a dificuldade de convencê-la de descer, e as pessoas se reunindo em volta do conflito, com exceção do pescador Nagazaki, Haibara iria se juntar e tentar fazer parte da força tarefa para pará-la, mas no fim, ela teve que parar o Kudo que estava preparando o relógio dele.

– Você está louco?! – Sussurrou ela. – O que você vai fazer se alguém ver você fazer isso?! Sem falar que será extremamente suspeito que ela caia no sono do nada!

Conan a encarou por um segundo com olhos secos, então, desceu a tampa do relógio. Em um suspiro ele disse:

– Você tem razão… É só que… Eu tenho a sensação que eles não medem razões, são somente animais querendo diversão… Eu não sei como… Lidar com isso…

A amiga entendeu o que ele quis dizer. De fato, até hoje todos os vilões que eles encontraram tinham um propósito. Até mesmo os mais loucos da BO, possuem um propósito, um motivo que guia suas ações… Mas no caso do Kuro, o propósito, o guia é o ato em si… Não há muita coisa além. Entretanto, ela não poderia deixar seu parceiro cair nesse tipo de mundo, não sozinho.

Enquanto eles tiveram essa pequena conversa, Tanaka Kana se ofereceu para ir junto com a amiga. Por segurança.

“Ótimo, mais uma pessoa…”

– Eu irei com vocês até uma parte. Se eu ver que realmente não terá nenhum perigo eu volto sozinho. Caso contrário, vocês voltaram comigo. – Disse Hakase já desesperado.

– Eu também vou! – Gritou Conan. Apesar de não gostar da proposta do amigo, ela já tinha sido feita.

– Vocês falam: “É perigoso isso, é perigoso aquilo”; mas acabam vindo junto… E uma criança também. – Protestou Himeko.

– A maior criança está sendo você! – Ressaltou Gukuru.

– Se acalmem… Estamos de acordo? – Perguntou Hakase já ofegante e sem jeito.

Elas se silenciaram, e sem comentários, Himeko começou a caminhar em direção a floresta. Kana seguiu atrás junto com Agasa e Conan. Para a surpresa deles, ela não pegou a estrada, ela realmente estava decidida a descer pelo meio da floresta. Quando questionada o motivo, ela disse com um sorriso jocoso:

– A carta disse que não havia uma rota de fuga comum, não que ela não exista! – Ela parecia orgulhosa da resolução, mas quando Hakase olhou para o amigo percebeu que sua lógica era falha.

“Eu tinha pensado isso, mas estamos lidando com alguém que não se importa em deixar claro suas intenções assassinas… Uma rota incomum não é simplesmente evitar a estrada…”

Eles caminharam por um tempo por entre as árvores, sem qualquer problema, sem qualquer barulho, sem qualquer suspeita. O silêncio foi quebrado pela própria Himeko com os braços abertos para o ar.

– Viram? Nada! Sabia que era só para nos assustar… Assim que eu chegar em uma parte da montanha que tenha sinal, irei ligar para polícia. – Ela começou a tirar o celular do bolso, quando um homem apareceu na frente deles, ele estava coberto da ponta dos pés a cabeça. Com mascara de proteção contra o frio de motoqueiros, mascara de ar, óculos escuros e um boné. Mas o mais assustador era o rifle de caça, que sem uma palavra, ele começou a apontar para Himeko que congelou.

Enquanto Conan gritava para se jogarem no chão, ele preparava sua bola de futebol para jogar no rifle do suspeito. Kana jogou sua amiga no chão e Hakase se agachou fazendo barreira para a criança que forçou o homem a errar o tiro com a bola. Assim que a bola saiu dos pés do pequeno detetive, o Agasa o pegou nos braços e correu para trás de uma árvore e gritou para as garotas:

– Vocês estão bem?!

– S-sim! – Respondeu Kana.

– Por pouco tempo. – Respondeu uma voz grossa. Seguida do barulho da culatra móvel e quase inaudível som do cartucho da bala caindo na terra.

– Temos que fugir antes que ele recarregue! – Gritou Conan. Não tinha tempo para passar instruções para o Agasa, então tinha que se ele mesmo a dar essas ordens. – Usem as árvores de escudo!

E assim eles fizeram, se levantaram para correr em meio a tiros que vinham. Porém algo estranho estava ocorrendo… Algo que Kudo Shinichi pressentiu enquanto corria em meio aos tiros… Eles raramente vinham eu sua direção. Para dizer que NUNCA vinham em direção ao Hakase. “Entendo… Não podem matar o jogador…”

– KANA! – Ouviram o grito de longe.

– CONTINUE CORRENDO! – Kana respondeu com uma voz dolorosa. – A-AONDE VOCÊ ESTÁ INDO?!

– SE NOS SEPARAR-MOS SERÁ MAIS DIFÍCIL DE NOS ACERTAR! – Himeko parecia ter dado essa instrução para todos. Mas ironicamente, era o oposto. Se ficassem perto do Hakase seria mais difícil dele matar alguém sem acertá-lo! Mas não tinha como ele explicar isso!

Em meio ao desespero, Conan percebeu sua mão indo para suas costas institivamente, porém nada se encontrava lá… Mas ele agradeceu que de fato não havia nada. “No que estou pensando?!”

Eles finalmente conseguiram voltar ao acampamento para encontrar todos os outros em estado de pânico pelos tiros que eles escutaram. Conan e Hakase já estavam sem folego, quando o grande homem caiu sobre seus joelhos. Quando o jovem detetive, em sua respiração pesada olhou para o lado, ele viu Kana segurando seu braço direito caindo pesadamente sobre as pequenas pedras que contornavam o rio e decoravam a área. “Ela teve o braço baleado.”

– KANA! VOCÊ ESTÁ BEM?! CADÊ A HI… – Sua voz tinha sido cortada.

Vindo lentamente de dentro da floresta, o homem que os seguiram até lá demonstrou uma certa dificuldade para alcançar a clareira. O motivo… Ele carregava lentamente, pelo calcanhar, um corpo.

Ele soltou-o e se endireitou atrás dele para chutá-lo a frente. Tirando o ar de todos… Era Himeko…

– Dessa vez. – Disse o homem de voz grossa, abafada, mas em bom e alto som. – Deixarei passar só com essa. Agora vocês são 14. Não nos obrigue a diminuir esse número tão rápido. Ainda temos o final de semana inteiro para brincar.

Enquanto ele dizia isso, várias pessoas, vestidas como ele começaram a circular a área do acampamento… 10… 15… 20… Umas 25 pessoas… “Maldito Kuro e seus seguidores!”

Ino caiu em joelhos e começou a gargalhar enquanto segurava sua cabeça em pânico. Sayaka saiu correndo para abraça-la. Tomoe desmaiou nos braços do marido que a acolhia tremulo. Os Aoyamas serravam os punhos e dentes. Nagazaki caminhará calmamente para sua tenda. Haibara tentava acalmar os Shonen Tantei Dan.

Enquanto os olheiros se retiravam mais um tiro foi ouvido. O que fez todos pararem, e buscar a origem… A barraca do Nagazaki?!

Conan e Hakase correram para lá… Ele tinha cometido suicídio…

Um dos olheiros rio escandalosamente enquanto gritava com uma voz histérica:

– 14! Já estão em 13! Ei! Porque não matamos logo o resto?! – Ele questionava os companheiros.

– Siga as regras, se não quiser ser morto. – Respondeu aquele que matou Himeko.

Sem dizerem nada sumiram na mata…

O silêncio perpetuou… Hugo e os Aoyama enterraram os dois corpos do lado da cova do Stuart. O ideal seria não enterrar os corpos, eles sabiam disso, mas também não tinham condições de deixa-los somente cobertos por uma coberta no meio daquela mata.

Na barraca Conan via as crianças dormindo de cansaço com os rostos inchados de chorar. Haibara o encarava com preocupação… Ele se retirou para se encontrar na barraca do amigo, e ela foi atrás.

– Três pessoas… E não consegui fazer nada… NADA! – Ele se retorcia de raiva e armagura.

– Não tinha o que você fazer… – Tentava consolar Haibara.

– Kudo-kun, quem são os maiores suspeitos? – Perguntou Hakase seriamente.

– O que estou preste a dizer, provavelmente, irá chocá-los… Mas acho que entendi esse jogo…

Enquanto eles ouviam, eles perdiam as cores de seus rostos. Era um absurdo, mas fazia todo o sentido… Se Kudo estivesse certo… Era uma vitória impossível…


“My dear

            You’re not so innocent

            You’re fooling heaven’s gate

            So you won’t have to change

            You’re no saint, you’re no savior.”