Introdução

Em um quarto escuro, iluminado somente por uma tela de um notebook, um e-mail era digitado calmamente, com destinatário a TV Tokyo. O rosto do autor da mensagem estava tampado pela sua boina. Ele não olhava o teclado, sua cabeça pendia para trás e balançava para os lados enquanto uns murmurinhos agradáveis eram soltos ao digitar…

“Por quanto tempo você acha que essa brincadeira vai durar?”

“Por quanto tempo você poderá fugir de mim?”

“Por quanto tempo você ACHA que irei esperar?”

“Está na hora de eu forçar sua aparição… E finalmente… Decidi por vez quem é o melhor…”

“Kudou Shinichi!”

Após levar o cursor lentamente ao botão de enviar, a largada estava dada. Fechando a tampa com violência, deixando o estalo ecoar pelo quarto, o breu se fez sublime. A boina foi colocada no lugar devido… A pessoa se levantou da cadeira, pegou uma marreta de quebrar pedra, que estava ao lado da mesa, e esmagou o aparelho. O forte barulho incomodou os vizinhos, que bateram na parede em protesto. O homem, ainda com a marreta em mãos, e ainda cantarolando, foi em direção a cama.

– Ei… O colchão amaciará o impacto?

Sem resposta.

– Bem… Só terei que bater várias vezes para ter certeza!

E assim começou uma martelada escandalosa, com direito a uma gargalhada de fundo. Os vizinhos em pavor correram para falar com o proprietário, para abrir a porta e ver o que estava acontecendo.


Quando eles finalmente se reuniram para abrir a porta, após uns 15 min, o som já tinha parado. O proprietário chamou pelo nome do dono do quarto, mas não obteve resposta. Alertou que ia entrar, e assim o fez.

O local permanecia escuro, o que o forçou a acender a luz. Após fazer isso, o que ele viu foi um homem em pé na grade da sacada, com um sobretudo preto de gola alta e boina. Não dava para ver o rosto, porque ele estava de costas. Ele murmurava tranquilamente. Os moradores e proprietário se assustaram, gritaram e perguntaram quem ele era. Ele simplesmente tirou do bolso direito, uma carta de baralho, e a jogou para trás. Pulou do 12º andar do prédio, e desapareceu.

Nesse ato, um dos vizinhos correu para ver se ele tinha se matado, mas se surpreendeu ao ver o homem planar para longe em uma asa-delta preta. Confuso, ele se virou para pegar a carta, mas perdeu a força das pernas e sentou-se no chão. Porque ao se virar, ele percebeu o que tinha em cima da cama…

Um homem, o verdadeiro inquilino do apartamento, estava deitado na cama… Com uma marreta enfiada no que deveria ser seu rosto, e uma larga mancha de sangue espalhada pela parede atrás dele…

No outro dia, quando a polícia foi verificar tudo, a carta dizia:

“Kaitou Kid, eu tenho uma joia que poderia ser do seu interesse.”

E ao mesmo tempo, a imprensa da TV Tokyo estava animada a falar sobre o e-mail desafiador para Kudou Shinichi…


“Bem, é mais divertido quando muitos se juntam a brincadeira, não é mesmo? Fico imaginando… Quem vai cair primeiro? Kudou, Kaitou ou… Eles? Não importa! Mesmo que seja eu o primeiro a cair, irei cair atirando! Tokyo precisa desse ar caótico! EU preciso dessa diversão! Como diria um dos meus rivais atuais: IT’S SHOW TIME!”

E a gargalhada estridente ecoou pela noite de Tokyo…


“Mais um dia amanhece… Mais um dia preso no meu eu de dez anos atrás… Sinceramente, quando os homens de preto farão alguma aparição novamente? E quando poderei voltar a ser Kudou Shinichi? Eu sei que a Haibara está dando seu melhor, mas provavelmente sem a APTX ela não conseguirá um antidoto definitivo…

Arg! Que agonia!”

Pensou o garoto enquanto coçava a cabeça.

– Levanta logo moleque, você vai se atrasar para escola. – Disse Mouri Kogoro enquanto arrumava a gravata.

– Hai. Hum…? Acordou cedo hoje Oji-san.

“Ou eu que dormi demais?”

– O Megure ligou ontem de noite… Parece que tem um caso que ele quer minha ajuda. Um caso sério. Ele não me deu muitos detalhes, disse que era para encontra-lo imediatamente assim que acordasse…

“Um caso sério? Será que é um caso relacionado aos homens de preto…?”

“…”

“Não… Eles não seriam tão descuidados ao ponto de fazer a polícia perceber algum traço deles…”

– Eu posso ir com você Oji-san?

– Claro que não moleque. Vá para escola. Quando você voltar eu te conto como eu, o grande Mouri Kogoro, resolveu mais um caso! Blarhahahahahaha!

“He he… Quero só ver…”


Após se arrumar e comer algo, Conan já estava pronto para ir para escola, assim como a Ran. Mouri Kogoro já tinha saído para a cena do crime, Ran lavava a louça do café da manhã enquanto Conan via o noticiário… Ele só não esperava ver a notícia que estava por vir…

– Hoje a TV Tokyo recebeu um e-mail anônimo com uma carta de desafio a um jovem e grande detetive da nossa comunidade. Apesar dele andar desaparecido, aparentemente ele não sumiu da memória das boas e má pessoas. Exatamente meus caros, a TV Tokyo vem trazendo com exclusividade para vocês uma carta de desafio ao detetive colegial, Kudou Shinichi. – Nesse momento, Ran desligou a torneira e veio secando as mãos para sala. Conan já tinha toda sua atenção voltada a televisão. – Vamos lê-la na íntegra: “Por quanto tempo você acha que essa brincadeira vai durar? Por quanto tempo você poderá fugir de mim? Por quanto tempo você ACHA que irei esperar? Está na hora de eu forçar sua aparição… E finalmente… Decidi por vez quem é o melhor…Kudou Shinichi!”; Será que Kudou irá responder ao desafio? Quem é o desafiador? Nós da TV Tokyo estaremos de olho, e na menor novidade possível, traremos para vocês, em primeira mão.

– O que será que foi isso Conan-kun? – Perguntou a Ran quando se virava para a criança que não estava mais lá. – Conan-kun?! Será que já foi para escola? Shinichi… – Suspirou a adolescente enquanto encarava o televisor.


“Isso é mal… Muito mal.”

Corria o garoto com seu skate turbo pelas ruas.

“Mesmo que a TV Tokyo tenha deixado claro que eu ando desaparecido, estar desaparecido não é o mesmo que morto! Se a BO se atentar a esse fato, a situação ficará… Droga! Porque isso passou tão facilmente para o público?! Esse tipo de desafio não deveria passar antes pelo desafiado? Ou será que foi direto ao público, justamente, porque estou desaparecido?!”

Enquanto pensava, Conan chegou a casa do Agasa Hakase. Saindo dela, as pressas estava a Haibara enquanto segurava o celular com uma mão.

– Kudo maldito, porque não atende esse telefone?!

– Me desculpa por ser um maldito. – Disse ele fazendo a garota ficar atenta ao arredor.

– Então você viu o noticiário…

– Sim… Vamos conversar lá dentro… O Hakase está?

– Não – Disse ela abrindo a porta e entrando. – Ele saiu ontem para um… Simpósio, acho. Disse que voltaria amanhã. Mas se ele ficar sabendo dessa notícia ele deve voltar de imediato. Seu celular?

– Está na mochila… Eu vim tão absorvido em pensamentos que não o escutei.


– Então… Alguma ideia de quem é o seu querido rival? – Disse ela colocando a mochila em cima do balcão.

– Nenhuma… Devem existir muitos que querem minha cabeça em uma bandeja, mas um que se auto proclama “rival”… Só o Kaitou Kid – Kudo riu ao ter se tocado que existe um “rival”. E que esse seria o Kid.

– Mas ele não seria o tipo de fazer isso, ele tem uma certa noção da sua situação. Não por completa, mas tem, correto? – Ponderou a pequena que se esticava para pegar o bule e servia duas canecas de café.

– Exato… Mas o problema aqui não é “quem”, nem o “porque” e nem o “para que”… E sim o efeito em cadeia dessa ação.

– A BO…

Os dois ficaram em silêncio por um instante como se agora, com o simples citar sua sigla, o ambiente se tornasse pesado. Haibara estendeu a caneca para o parceiro e se sentou no sofá, do outro lado da mesa, em frente ao Conan.

– O que você pretende fazer agora? – Questionou ela, enquanto tomava um gole.

– Pensando… Mas por enquanto a melhor opção é ignorar o chamado…

– Ignorar…? – Levantando o cenho ela olhou o garoto se servir da bebida com seriedade.

– Sim. Se eu der algum tipo de resposta confirmaria que estou vivo. Porém, se eu ignorar…

– Existiria a dúvida, e a BO não se arriscaria a tentar descobrir seu estado mortis com a mídia em cima.

– Exato… Mas o problema está na parte da carta que dizia: “Está na hora de eu forçar sua aparição…” Eu quero acreditar que não existe um “como” de eu ser forçado a isso… Mas se existir… Eu ainda não sei como prosseguir…

– Você teme que tenha que encarar esse “rival”, mas não pelo fato de ter que encarar o cara, mas sim porque você teria que encarar ele e a BO. Pondo em risco tudo que fez até agora para nos mantermos seguros… Principalmente ela, certo? – Perguntou ela com um sorriso sarcástico.

– Sim.- A resposta confirmando que ela estava certa a faz suspirar. “O que eu esperava?” – Eu já estou até pensando em algumas coisas, mas todas arriscadas…

– Então não pense muito sobre isso… Pense caso, e somente caso, você seja forçado a responder o chamado. Deixe isso de lado por enquanto… Temos aula. – Disse ela enquanto terminava de beber o café e pegava sua mochila.

– Isso é uma esperança que não me tranquiliza muito. – Disse Conan se levantando.


Eles caminhavam em direção a escola, e se encontraram com o Genta que estava atrasado para escola.

– Vocês estão atrasados também?! Isso sim é raro. O que vocês estavam fazendo? – Disse ele apertando os olhos enquanto encarava os dois.

– Nad…

– Quem sabe, não é mesmo Edogawa-kun? – Interrompeu a Haibara com seu sorriso jocoso. A qual ele respondeu com um olhar incomodado e constrangido.

Ela provavelmente fez isso para acalmá-lo, mas mal sabia ela, que não adiantaria por muito tempo. Enquanto eles caminhavam, uns carros de polícia passaram em alta velocidade. Conan nem se quer se deu ao trabalho de pensar, saiu correndo em direção ao tumulto.

– Genta, fala para a professora que eu me envolvi em um caso com o Tio Kogoro!

– Que? Espera também quero ir ver…

– Contamos com você! Alguém tem que avisar a professora! – Complementou Haibara.

O garoto simplesmente grunhiu contrariado e correu em direção a escola para concluir sua missão.

Quando Haibara e Conan chegaram no “local motivo”… Seus queixos caíram… A polícia tentava, de todas as formas afastar as pessoas do local… Mas a cena… Quase teatral… Impedia qualquer um de se mover…

– PORQUE AINDA NÃO DESCERAM O CORPO?! – Gritou uma voz familiar. Megure gritava enquanto chegava em cena. Kogoro estava atrás dele, e seu rosto embranquecia enquanto olhava o objeto da atenção…

Em um guindaste, daqueles de obra que erguem diversas vigas, uma colegial tinha seu bucho perfurado pelo gancho de metal. Seu sangue voava com o vento e molhava os espectadores desprovidos de ar. Na cerca de madeira, uma lona azul, manchada de sangue rebolava nitidamente… “Ela estava encoberta com a lona e o vento a revelou… Por isso a demora na descoberta do corpo… A lona também impediria do sangue de voar em direção à rua, como está acontecendo agora… Esse uniforme… Saia e blazer azu… TANTEI?!”

Um frio na espinha percorreu o garoto, ele entendeu mais o que gostaria. Correu em meio à multidão e se encontrou com o Megure e Kogoro.

– Garoto o que você está fazendo aqui?! – Gritou o detetive que o erguendo pelo colarinho. Ele lutava, ele queria que fosse solto logo para correr para dentro do terreno em construção. Passou pelos dois por que sabia, que passando por eles, os outros policiais na entrada não o impediriam de entrar.

– Nós ouvimos os carros de polícia e viemos olhar. – Explicou Haibara.

– Aqui não é lugar de criança! Vão para escola, vocês já estão atrasados! – Gritou Mouri jogando o garoto no chão, ao lado da colega.

Esse momento foi a deixa para ele correr em direção a entrada. Enquanto ele fazia isso, o corpo da vítima era descido de seu “palanque final”. Kogoro e Megure ao perceber o garoto entrar no terreno correram atrás. Conan só parou sua invasão em frente a um grupo de policiais que erguiam os braços esperando o corpo chegar, para evitar que ele se solte, ou tenha alguma modificação gritante, que pode levar a encoberta de pistas.

Eles notarão a criança e por um segundo não sabiam como reagir. Principalmente porque enquanto aquele ser pequeno olhava para cima, seu rosto ficava mais, e mais manchado de vermelho… Era impactante, eles policiais, mesmo profissionais, olhando para baixo, vendo o que para eles era a imagem da inocência e bondade sendo manchada de sangue enquanto olhava para o céu, ofegante…

Mouri já ia preparando o murro para o cascudo repreensivo padrão. Mas parou ao perceber a concentração de Edogawa… Ele olhou para o corpo e entendeu.

– Relaxa garoto… Não é a Ran…

“Eu sei disso… Mas ainda… É do mesmo colégio que o nosso… Eu posso conhece-la… E se sim…”

Ele olhou para baixo, e notou um pequeno triângulo branco debaixo de uma pedra… Ele se agachou e levantou a pedra.

– O que você achou aí? – Perguntou o Megure esticando a mão pedindo para ver.

– Uma carta… – Respondeu Conan entregando o objeto ao largo homem.

Ele a abriu e começou a ler. E regalou os olhos em espanto.

– Olhe isso Mouri! – Entregou o papel para o amigo, que ia começar a ler, quando a Haibara pediu para que lesse em voz alta.

Mouri ia negar o pedido, mas ao ver o local onde as crianças estavam e o rosto manchado de sangue de Conan, ele mudou de ideia. Ele, sem falar nada, se distanciou daquele centro, e as crianças e o Megure o seguiram.

“Pelo menos, agora eles estão longe do corpo… O que eu faço com esses moleques… Existe limite para a curiosidade… Mas o mais assustador, é ambos não aparentarem estar em choque com… Deus… O que faço?”

Ele olhou para o céu e, antes de começar a ler, alertou:

– Depois de eu ler isso, em silêncio, eu decidirei se lerei para vocês ou não. E após minha decisão, vocês voltarão para casa… E vão tomar um banho.

Os dois concordaram.

Em silêncio ele leu a carta, fechou os olhos, e então com a mão, apertou o rosto em meio a um suspiro cansado.

– Voltem para casa. – Concluiu.

– Ma…

– Agora! – Interrompeu.

– Okay… – Disse o garoto enquanto jogava seu microfone dentro da aba dobrada da calça do detetive. E se distanciou pegando o fone.

– Você acha que dará para ouvir algo? – Questionou a Haibara.

– Só tem um jeito de saber, não é? Depois eu tiro de lá quando ele chegar em casa. E caso não dê eu… – Ele parou de falar para prestar atenção, Haibara aproximou o seu rosto do dele para tentar ouvir.

– Isso… Relacionado… A aquele… Maldito… Moleque detetive…

Foram poucas palavras que deu para pegar ao longe do microfone, mas foi o suficiente para entender a mensagem… Mais tarde, espiando os arquivos de casos abertos do Kogoro, Edogawa saberia exatamente o que estava escrito…

“Eu acertei Kudo Shinichi? Ou não era uma amiga sua? Não importa, uma hora eu acerto. Que tal me dar uma resposta até… Amanhã.”


Assim que leu o arquivo, Conan esperou a oportunidade para fugir da casa, sem que Ran e Kogoro o percebessem sair. A situação era precária… Muito precária. Ele não poderia isso continuar, ele tinha que resolver isso para “ontem”!

E, nesse momento de desespero, somente havia uma solução.

– HAIBARA! Preciso do antidoto! – Gritou o pequeno detetive ao entrar na casa do seu velho amigo.

A garota deu um pulo da cadeira, ela estava no telefone.

– Só um segundo Hakase, tem um louco gritando aqui… O que você quer Kudo-kun? – Disse ela segurando o telefone no lado do rosto e cobrindo o microfone.

– O antídoto! Eu entrei pedindo por ele!

– Eu ouvi isso, só não ouvi o motivo.

– Eu não tenho tempo para essas explicações longas agora! – Bradou o garoto adentrando a casa em direção ao quarto da amiga.

– Que? Espe… Depois nos falamos Hakase. Kudo?!

Ela correu atrás dele até ultrapassá-lo e, parando na frente dele, se fez de barreira com os braços abertos.

– Não importa o quão com pressa para algo você seja, normalmente você não é assim! Se você não quer pensar com calma e de forma racional por si só, EU irei fazê-lo pensar! Me conte o que tem em mente!

Kudo parou, deu um longo suspiro, e acenou com a cabeça para voltar para sala. Eles se sentaram no sofá, ele coçou a cabeça e começou.

– O professor ainda está no simpósio?

– Não mude de assunto.

– Tch… Eu li o relatório do ossan… A carta dizia que se eu, Kudou Shinichi, não responder ao desafio amanhã, ele matará mais estudantes do colégio Tantei…

– Então você decidiu aceitar a carta, para não correr o risco de algum colega seu morrer…

– Sim.

– Você é idiota? E a BO?!

– E quem disse que irei SÓ aceitar o desafio? – Disse ele sorrindo.

– Como assim?

– Eu irei aceitar o desafio, levarei o maldito para uma armadilha, e lá, simularei minha própria morte, em frente a grande mídia e a polícia. Eu sei que isso não irá limpar o peso da B.O. encima de mim. Afinal, será minha primeira “morte”, em sequência da sua segunda morte. Bem… Eles meio que esperam que eu esteja vivo. Então não será uma surpresa tão grande assim…

– Não diga besteira! Você vai, literalmente, colocar sua vida em risco por um plano que pode não dar certo? E que bosta de armadilha é essa?!

– Você tem alguma ideia melhor?! – Disse ele levantando do sofá.

Ela, levada pela irritação, levantou também e foi em sua direção. Apontando o dedo para cara dele, disse:

– Porque você, simplesmente, não deixa isso de lado e tenta descobrir quem será a próxima vítima? Ai você a protege e o captura, sem colocar “Kudou Shinichi” na linha.

– Eu já pensei nisso. Mas não tem como eu descobrir a próxima vítima. Pelas informações coletadas pela polícia, não há indício nenhuma sobre o assassino, além de sua barbaria. E a garota que foi morta… Nem se quer do mesmo ano que o meu e da Ran era…

– Você quer dizer…

– Ele pegou uma qualquer… Provavelmente a mais fácil de matar no momento. E não consigo eu, proteger todos os alunos de lá.

– Ainda assim… O risco é muito alto… Preferiria que você deixasse para lá, ao em vez de querer se mostrar.

Disse ela com o rosto de lado, não falará por mal, falará por reação a suas preocupações. Ela, que por muito tempo trabalhou sem se preocupar quem era a vítima dos frutos do seu trabalho, ainda carregava essa irrelevância para quem não era próximo a ela. Assim como boa parte da humanidade. Ela mudou, graças a ele, mas ainda muito tinha que mudar, ela queria mudar… Para alguém que ele olhasse com outros olhos. Mas do que adiantaria ela mudar, se ele não estivesse lá para olhar?

– Porque você acha que estou lutando tanto?!

Gritou ele em alto bom som. Sua voz ecoou pela casa familiar a ambos. Seu rosto franzia em raiva, sua expressão envelhecia, seus olhos brilhavam furiosamente… Ela recuou, perdeu um pouco a voz e então… Fechou a cara… Deu as costas a ele erguendo os braços em desdém e contra-atacou:

– Para poder se mostrar para sua querida princesa, não?

Apesar do seu tom de voz ser o de costume, em seu coração só tinha angustia. A forma como ele se portava a irritava… Mas mais do que ele, ela mesma era sua maior agonia… Porque ela não conseguia ser sincera de uma vez?

– Sua idiota!

A lá vem a resposta… O que ela esperava… Ela sabe que ele não se esforça por isso… Não SÓ por isso… Ele luta porque isso é o certo. Quantas vezes ele já esteve pronto para perder tudo? Sua liberdade, seu velho futuro, seu amor… Simplesmente para fazer o certo? Ela sabia disso tudo… Mas só por causa daquela garota da agência de detetive, seu julgamento ficava nublado… Ciúmes…

Ele puxou o braço dela e trouxe ela para bem perto dele. Ela estava tremendo, levemente. Nunca o tinha o provocado tão longe… Seu rosto estava muito perto, ela sentia sua respiração furiosa… Com a outra mão ele segurou o colarinho de seu casaco e abriu a boca para falar… Ela fechou os olhos…

– Estou lutando por nós Haibara!

Não era o que ela esperava. Ela abriu os olhos surpresa. Ele fechava seu casaco com a mão que antes segurava seu braço e tomou folego. A encarou profundamente e explicou, o que aparentava não ter sentido…

– Você quer ter sua liberdade de volta também, não é? Você quer vingar a morte da sua família, não quer? Haibara… Você quer uma vida, não quer?! Eu também quero minha vida de volta, também quero derrotar a B.O., eu também tenho minha parcela de egoísmo. Mas você estar aqui me dá mais forças. Porque deixa de ser só por mim, deixa de ser só porque é o certo. Passa a ser por você também. Então nunca mais, NUNCA mais, fale para eu deixa isso para lá… Eu não vou desistir, nem que isso me mate, eu vou te dar uma vida!

Ele ficou um pouco vermelho, porque era um pouco constrangedor dizer aquilo tudo. Mas ele tinha decidido deixar aquilo bem claro. Ele odiava admitir a ela que se preocupava… Mas também não suportava mais ver ela agir tão para baixo, quase SEMPRE.


– E é por isso que você me irrita… – Murmurou ela com um sorriso no rosto.

– O que você disse?

– Nada não… Melhor… – Ela tomou ar, puxou coragem, puxou força. – Eu não quero isso.

– Isso o que? – Agora ele que estava confuso.

– Eu não quero que você se mate para derrotar a B.O…. Não quero esse tipo de vida, ganhada por mérito do seu sacrifício. Se quer realmente ganhar, irei te ajudar, e irei te parar quando decidir fazer alguma loucura… Como você disse, eu já perdi minha família… Não me faça perder você e o Professor…

Ela tinha virado seu corpo, não queria encará-lo, estava vermelha. Quente de constrangimento e nervosismo.

Conan ficou perplexo. A ficha não tinha caído ainda… Ela… Ela tinha acabado de ser… Fofa?

Ele abriu um pequeno sorriso desdenhoso, provocativo, feliz.

– Oohh… Quem diria… O Professor estava certo. Você É Tsundere! E o lado “Dere” é bem fofo até.

– Ma-mas que be-besteira! Devia ter me mantido quieta e deixado somente você passar vergonha! – Rebateu ela com as bochechas corando.

Essa troca de implicâncias leves, essa conversação tranquila, esses “irônicos” dias de paz. Eles não sabiam por quanto tempo duraria, nem se, mesmo com turbulências, voltariam a ocorrer. Mas sabiam de uma coisa: Eles gostavam muito desses dias.


 

Este guia é uma iniciativa da GodHandS Fansub.