Capítulo I.V – O Mês Infrutífero

Aquela noite tinha terminado com várias notícias, rumores, fotos e artigos sensacionalistas. Tokyo estava em frenesi. Parecia um festival macabro, mas ironicamente o povo amava tudo aquilo, aquele medo. Não era de se estranhar a selva de repórteres em frente a central da polícia ou da casa do Mouri.

O detetive queria sair, mas não teria como se continuassem em sua porta.

– É um atrás do outro… – Reclamava ele enquanto tirava o seu último cigarro. – Primeiro a Ran manda essa mensagem: “Estou escondida com uma amiga até que tudo passe, qualquer coisa é só ligar.”, mas quando eu ligo ela dá respostas vazias e sem nexo… Pelo menos ela parece bem… E o moleque chegou aqui mais cedo e disse que iria ficar com o Agasa por um tempo, pegou suas coisas e saiu. Isso não parece com ele, achei que ele ia querer ficar metendo o bedelho como sempre…

Ele soltou a fumaça que acalmava sua alma e tentou focar.

“Aparentemente, o garoto quis fingir sua morte. Tanto para a mídia, quanto para o assassino. Porém, ele não esperava que ele lançar uma asa delta motor igual o Kaitou Kid e se jogar no mar junto com seu corpo… Provavelmente o assassino percebeu o plano quando caía na água… E então foi ao encontro do garoto em baixo da ponte, perdendo assim sua rota de fuga inicial… Eles devem ter conversado por um longo período, porque o barco só pegou fogo após a gente ter voltado de nossa caçada ao monomotor.  Tch… Se eu tivesse pensado isso mais cedo teria prestado mais atenção a multidão, o assassino andou por entre nosso dedos!”

Mouri acertou violentamente a mesa de seu escritório.

“Eu não queria recorrer a isso, mas…” Mouri subiu para o terceiro andar, e olhou pela janela que dava para o beco atrás da agência. Suas pernas tremiam, seu medo de altura refletia claramente em seu suor cristalino. “Aaaaaa, quando tudo isso acabar eu quero o melhor vinho…” Com esse pensamento incentivador, ele atravessou a janela e desceu lentamente pelo cano que levava a água do topo do edifício até o chão. “Devagar… Devagar…”

E por fim ele chegou ao chão, ele sentiu o desejo de baixar aquilo que dava firmeza ao seu andar, mas teve que se conter. Com seu sobretudo e óculos escuros ele partiu, enganando os repórteres e até mesmo o seu medo, com sua força de vontade.


Em uma outra casa, o que se sucedia era uma verificação de todas as matérias recorrentes sobre o caso.

– O jornal diário?

– Morto.

– Tokyo News?

– Morto.

– Teitan Blog News?

– Vivo.

– Que?!

– Brincadeira… Morto também.

– Chez… Não brinque com isso… Você sabe que quanto mais locais acharem que estou morto melhor, não é Haibara?

– Ora… Se o Kuro-san cumprir com o acordo você estará definitivamente morto em pouco tempo, não é mesmo Kudo-kun?

– Não quero contar com isso… Sem falar que até lá, se houver suspeita estaremos em perigo. Bem, eu pedi para Jody buscar nos arquivos do FBI qualquer um que posso se assemelhar com o Kuro, ele é “bom” demais para ser completamente desconhecido.

– E se não encontrarem nada Shinichi? – Perguntou o Agasa que revisava as informações das rádios com um radinho portátil.

– Ou ele é melhor que poderíamos esperar e fez tudo até hoje na surdida, ou ele é um prodígio que começou fazendo escândalo e não poderei deixar escapar, caso contrário teremos alguém tão ruim ou pior que a B.O. a solta…

– Ora… Você parece estar o valorizando mais dessa vez… O que houve? As balas te assustaram mais que machucaram? – Disse Haibara provocativa.

– Idiota… Não é medo. Ele deu muitas dicas, assustadoras… De que ele não trabalha sozinho, que ele tem meios de conseguir o que quer, até mesmo dentro da polícia, com plena convicção de que irá dar certo. E ele parece conhecer grupos criminosos do submundo…

– Entendo… Ele não é um indivíduo egocêntrico qualquer. Ele possui sua própria carga de aliados e proteção. E para alguém com esse tipo de contato se exibir tanto…

– Significa que, ou ele é ligado a grandes poderosos…

– Ou ele é o grande poderoso… Assustador, de fato… Aáh… Eu devia ter escutado o conselho da minha mãe e nunca me envolver com detetives…

– Você nunca ouviu esse tipo de conselho de sua mãe! – Gritou Conan dando uma pequena corada pelo tipo de piada.

– Ora, verdade. Então relaxa Kudo, como não fui alertada de antemão, já não posso ignorá-lo. – Disse ela com um sorriso provocativo.

– Apesar da situação, vocês parecem estar se dando melhor que antes… – Comentou o homem que endireitava suas costas após uma noite cansativa de viagem, com direito a chegar direto para um trabalho.

– Vai descansar Hakase, você está tão fora de linha que está falando loucuras. – Respondeu Edogawa segurando a irritação.


A agência de polícia parecia um caos, oficiais corriam para lá e para cá, brandiam suas vozes em busca de respostas e informações, coçavam suas cabeças com telefonemas, o local estava um caos, dentro e fora.

Porém dentro o silêncio reinou quando um oficial da perícia entrou no local com um documento aguardado por todos…

– Deu… – Somente com esse início todos seguraram o ar, engoliram a saliva e fixaram a vistam. – … Positivo…

Esse termo derrubou toda uma divisão de polícia, o que era apenas caos por causa do trabalho, se tornou uma mistura de sentimentos inexplicável.

Tristeza, ira, desânimo, etc. Aquele relatório confirmava que o sangue na ponde, era de fato, de Kudou Shinichi. As equipes de buscas já estavam em prontidão no rio, trabalhando, mas a cada segundo sem sucesso, os dava um alívio que sumiria com esse relatório.

– Megure, nós…

– Não diga nada Takagi… Nós devemos nos concentrar em capturar esse infeliz! Descubram tudo que puderem saber sobre a asa delta, até mesmo de onde foi o material que foi utilizado para fazer a linha da costura! Eu não me importo com o nível da informação, estou disposto a colocar minha carreira nessa caçada se necessário! Qualquer coisa! Só isso que peço, qualquer coisa que possa levar minhas algemas a esse desgraçado!

Todos os homens daquele local responderam ao espírito guerreiro do inspetor com um grito de confirmação forte, um bater de pernas estridente em uma postura rígida e complacente.


No final da noite alguém veio a casa do cientista às pressas.

– Kudo! Cadê o Kudo-nha?! – Gritava o jovem de pele escurecida.

– Hattori, diminua a gritaria, senão você vai acordar o Hakase e a Haibara. – Disse Conan com expressão de extremo cansaço enquanto soltava um bocejo.

– Kudo! Então você está bem! – Disse ele segurando os braços do garoto, fazendo ele soltar uma expressão de dor.

– Mas é claro. Você realmente acha que eu morreria com isso? Eu fingi minha morte, fingi. – Após dizer isso ele tirou o caçado e averiguo as ataduras envolta no braço.

– Para despistar o grupo dos caras de preto certo. – Disse ele após soltar o amigo, já mais aliviado.

– Isso. Desculpa não ter avisado.

– Não desculpo! Eu fiquei sabendo de tudo pelas notícias! E todas estavam falando que você está morto! Tá um escândalo nacional isso!

– Sim… Bem, eu acabei me dando bem conseguindo tudo isso em troca de um braço e perna machucada.

– E um quase afogamento. – Complementou Haibara enquanto entrava na sala em seu extremo cansaço e bocejo. – Você deve sua vida a mim.

– Hai hai…

– Obrigado baixinha. – Disse Hattori sorrindo para Haibara que simplesmente deu de ombros. – Mas o que você planeja fazer agora?

– Por hora? Esperar… Não tem muito o que eu possa fazer, a poeira irá baixar com o tempo, até lá tenho que seguir minha vida como Edogawa Conan, como sempre… Ah, Hattori, eu peço que você não entra em contato comigo por um tempo.

– Porque?

– Você é meu trunfo no que irá vir.

– Ora ora, reconhecendo minhas habilidades Kudo? – Disse Heiji estufando o peito com orgulho.

– Idiota! Você é a pessoa mais provável de ser listada como “aliada” para seu maldito jogo e alguém que sabe quem realmente sou. Em uma das condições do Kuro, eu não poderia deixar os “aliados” saberem que os estou ajudando, mas se ele não souber quem Conan realmente é…

– Ah, entendi… Você irá me ajudar diretamente assim… – Disse ele um pouco decepcionado. – Mas me explique esse “jogo”…


Os dias correram longos, de um lado, Mouri Kogoro tentava em suas fugas coletar o máximo de informações possíveis, assim como a polícia, mas todas elas davam em nada. Qualquer testemunha, qualquer indício, tudo parecia vazio.

A perícia procurou por todos os lugares, mas não encontrava nem se quer um corpo… Pelo menos, não até aquele momento… Um mês tinha se passado, e uma carta estava em meio aos documentos do Megure, que ao lê-la saltou da cadeira. Ele se encontrava com a barba por fazer, olheiras imensas, e uma expressão de abatido que só podia ser retirada de uma maneira. O que fez os colegas de escritório levantarem um ar de esperança. Por causa da extrema dedicação do inspetor ao caso, ele foi afastado de seu cargo até que recuperasse a compostura, afinal, não é só porque um caso está em aberto que outros casos não ocorram. Durante esse período, quem ficou com o serviço foi o Shiratori, que aceitou a função com leve desgosto.

Megure pegou o telefone e ligou para a equipe de busca, que já tinha parado seu serviço duas semanas atrás. Os detalhes que ele gritava no telefone arrepiava a pele de todos no local. “Encontraram um corpo perto do fim do rio, está irreconhecível, mas parece o corpo de um jovem pelo tamanho.”

Obviamente após o local exato, ele se levantou apressadamente da mesa, o que fez sua pressão cair, por causa da má alimentação e exaustão, ao se segurar na mesa os colegas seguraram o ar, mas Satou o ajudou a levantar e Takagi com a chave de um carro disse: “Eu dirijo. Sem problemas, certo Shiratori?”

“Claro, por favor, me tragam notícias.” Os dois polícias foram juntos daquele que eles ainda chamavam de Inspetor Megure para seu destino, tal cena fez Shiratori sorrir. “Enquanto estou aqui nessa posição temporária, eu nunca fui chamado pelo título desse cargo por ninguém, e ele nunca foi chamado de outra forma… Volte logo a seu lugar de direito Inspetor Megure.”


Somente uma pessoa foi avisada dessa notícia, Mouri Kogoro, que após receber o local, pegou o carro alugado para um mês, mesmo sendo extremamente caro, para ir ao destino. O motivo do aluguel é que durante o mês ele foi a várias prefeituras, locais distantes que o forçavam a dirigir, tudo na esperança de qualquer pista pudesse dar frutos. Porém, a falta de resultado, destruiu não só Megure como ele, aliado a falta de sua filha, que mesmo que sempre acessível a ligação, ainda frustrava não saber onde se encontrava.

E não importava quem pedia para ela dizer sua localização, ela se negava a dizer, não bastava Sonoko, ele ou até mesmo a Eri… Ela só dizia: “Estou com uma aliada, ela está me protegendo. Quando tudo acabar eu volto, eu juro.”

Um mês… Foi um mês torturante, mas que separou as crianças dos homens. Mouri não se importou do moleque Conan ter ficado na casa do Hakase, melhor assim, ele não saberia administrar sua situação com cuidar da criança.

E melhor seria se tudo acabasse ali, se o corpo que não fosse encontrado não fosse irreconhecível… Se o corpo que fosse encontrado não tivesse o DNA do detetive colegial Kudo Shinichi… Se no dia do enterro não tivesse chovido e escondido as lágrimas de uma nação… Se o som do trovão não tivesse abafado o choro alto da mulher que se escondia nos braços do ladrão do luar que tentava acalmá-la… Se a cara retorcida do garoto de óculos não fosse por desconforto… Se Hattori, Hakase, Haibara, os pais do Kudo, não tivessem que fingir a extrema tristeza…

Tudo seria melhor se Kuro não tivesse dado início ao “Jogo”.


 

Este guia é uma iniciativa da GodHandS Fansub.