Capítulo VI – Parte II



De volta ao presente

 

Com olhar um pouco vazio ao lembrar daquele dia que lhe parecia ontem, Shioon, tentou recuperar a compostura.

— Melhor eu voltar… Se eu ficar muito tempo aqui e eles precisarem de mim não conseguirei chegar a tempo… – Dito isso ele começou a ir em direção a sua moto de cabeça baixa. Quando ele tocou no guidão, algo o fez virar a cabeça e se perguntar…

— Se parar para pensar você foi bem longe sozinha… Que mulher assustadora você era…

Longe dali, o Grupo B tinha acabado de chegar no local previsto. Um aglomerado de casas, algo completamente oposto ao esperado de uma instalação da inteligência.

— Ambos os grupos chegaram no local combinado. O Grupo A já entrou correto?

— Sim Dark. Mas estamos avançando com cautela… – Respondeu o Haseo com uma voz baixa.

— Nós não iremos esperar o JuaxXx, quero terminar isso hoje, Grupo B invadindo o perímetro. – Informou o Naga.

Para facilitar a narração da situação, irei contar cada grupo por vez, ambos ao mesmo tempo é… Chato.

 

            Grupo A:

O prédio que tínhamos entrado era bem maior por dentro que por fora. Por fora ele parecia ter só um andar e uma larga estrutura, como um círculo, mas por dentro ele tinha diversas escadas, muitas que levavam a lugar algum, a estrutura das paredes, a logística das salas, era tão boa que fazia um perfeito labirinto. Quantas vezes fomos e voltamos para os mesmos lugares. Mas o que realmente incomodava… Era o barulho… Ele era leve… Tirando eu, só o Haseo estava ouvindo… Parecia um ronco…

— Haseo, quantos andares abaixo tem aqui? – Perguntei incomodado.

— Uns 12… – Disse ele suando de excitação. (Duvido ser suor frio de medo igual o meu.)

Nós ainda estávamos no térreo… O que quer que esteja dormindo nesse prédio, espero que seja no próximo andar…

— Haseo, se você conhece tão bem esse lugar, como você pode estar tão perdido? – Perguntou o Van.

— Da última vez eu que estive aqui, só sai explodindo o meu caminho.

— E porque não faz isso de novo?

— Porque tem algo aqui…

— Algo? – Indagou a Thaís.

Eu e ele só concordamos com a cabeça. A Thaís então começou a fazer um mapa de onde nós já tínhamos passado, assim conseguimos descobrir por onde ir. Mas não importava o quanto avançávamos, estava muito devagar, realmente, um verdadeiro labirinto… Sem falar que parávamos em todas as salas para procurar por arquivos, informações úteis, até mesmo verificávamos se os HDs dos computadores estavam funcionais com um dispositivo criado pelo Naga. Já estávamos no 6 andar do subsolo, e nada… Além daquele maldito RONCO, ele estava mais forte, até a Thaís e o Van começaram a ouvi-lo. Isso é mal… Já são 6 andares de distância. O bicho que está dormindo é imenso! Mas…

— Haseo… Todos os andares tem a mesma altura? – Perguntou a Thaís.

— Todos… Tirando o 12º do subsolo… Ele tem 20 metros de altura…

— PORQUE?! – Gritou o Van já prevendo o que veriam.

— Porque os Leachers gigantes eram levados para lá, através de um túnel imenso que começava perto da montanha onde deixamos o Dark e o Shioon. Infelizmente, esse túnel todo sucumbiu, caso contrário, seria a melhor forma de chegar até aqui.

— Haseo… Tem um Leacher gigante lá embaixo, isso é certo! – Disse a Thaís.

— E? Nós vamos continuar coletando mais informações úteis e caso seja necessário, VAMOS SIM ir de encontro com a fera. Estejam preparados.

Nós três suspiramos em união… O Haseo estava rezando para que NÃO encontrássemos os arquivos antes da fera… E o pior, é que tirando questão de sorte ou azar, faria sentido ter arquivos importantes lá. Afinal, se leachers grandes eram levados para lá, espera-se que seja um andar importante.

Seguimos nossa caçada sem resultados até finalizar o 11º andar do subsolo. Em frente as escadas que nos levariam a besta, cujo o ronco tremia nossos ossos, começamos a bolar uma estratégia.

— A criatura está dormindo já tem horas… E a intensidade do ronco não mudou… Provavelmente não irá acordar, desde que não façamos barulho.

Disse o Haseo levantando o dedo indicador.

— Nós vamos olhar a sala, ver se achamos algo, caso só tenha o bicho, saímos. Simples e rápido.

— E caso tenha, lento e perigoso… – Complementei.

Ele sorriu e concordou com a cabeça. Ao se levantar, ajeitou a bazuca nos ombros com a mão esquerda e segurou com mais firmeza a foice na mão direita.

E, lentamente, começamos a descer umas escadas em espiral… ETERNAS! Sério… Uns 110 degraus… O Haseo não brincou com os 20 metros de um andar… Eu já estava ficando tonto de tanto girar… Até acabei caindo de joelhos quando cheguei no fim da escadaria, mas não foi por cansaço… Foi porque lá tinha um FUCKING GIGA LEACHER! Ele devia ter uns 16 metros de altura, parecia um lagarto, com uma calda IMENSA cheia de espinhos roxos, como estava dormindo em pé, dava para ver toda sua fisionomia. Suas patas dianteiras deveriam ter uns.. 15 metros, o 1 metro restante era da cabeça… Larga e com dentes afiados que subiam pela lateral da mandíbula. Quando ele soltava o ar, saia sua língua bifurcada… Sua pata traseira deveria ter o mesmo comprimento que a dianteira, porém estava dobrada… A ponta da sua calda brincava com seu formato igual a de uma lança… Cutucando o chão…

— Que coisa linda… – Disse o Haseo já ansioso para fazer merda.

— Nem pense… – Repreendeu a Thaís.

— Já pensei. Mas não irei executar. Missão primeiro.

Ela suspirou… Isso significaria que após fazer a missão, ela, eu e o Van teríamos que correr o mais rápido possível, porque o maldito do Haseo DEFINITIVAMENTE, vai lutar contra aquilo.

Olhamos o lugar de longe. Ao todo, não havia muito o que ver, era quase um galpão infinito. Porém, tinha uma porta trancada de ferro. Nós queríamos abri-la, mas se forçássemos poderíamos acordar o “Lihart” (Nome dado pelo Haseo). Após mais alguns minutos procurando, o Van notou uma coisa… Perturbadora…

— Gente… O Lihart está… Na frente de um computador gigante…

Todos adquiriram uma fisionomia de “fudeu” e se viraram para o Haseo que sorriu.

— Van, como você que percebeu, você vai lá e verifica.

Ironicamente, o fóssil não reclamou, só suspirou e foi andando até lá. E começou a ligar a máquina… Que realmente ligou. Toda hora ele olhava para o imenso leacher para ver se ele ia acordar, mas nenhum movimento realmente suspeito. Eu estava em posição de tiro, esperando para o caso de Lihart acordar. Mas ele ainda roncava pesadamente. Depois de um tempo, o Van acenou, indicando que encontrou algo. Thaís suspirou aliviada. O velho guerreiro começou a cópia dos arquivos… Mas toda hora tinha que recomeçar, porque o pendrive estava com mal contato… Então ele ficou um bom tempo tentando achar uma boa posição para o treco… Tempo esse que acabou com a paciência do Haseo, que acabou gritando.

— ANDA LOGO PORRA!

O grito ecoou pelo lugar, eu e a Thaís o encarramos com os olhos arregalados, Van, olhou para trás suando frio e então todos olharam para Lihart e… Ele ainda dormia…

Suspiramos aliviados e fuzilamos o maldito líder da operação com os olhos. O Van tentou se apressar, mas não conseguia nada… Então o Haseo, novamente sem paciência, sacou a bazuca e apontou em direção do computador, que estava LOGO atrás do Lihart. A Thaís tentou impedir, mas foi tarde demais, o tiro foi voando com tudo e atingiu o local, Van foi isolado com a explosão para trás. Ele levantou já com a faca na mão, pronto para a luta com Lihart, mas… O bicho simplesmente deitou… E o computador estava intacto!

— Isso explica muita coisa. – Concluiu o maluco da bazuca. – Era estranha a ideia que um computador tenha sobrevivido tanto tempo ao lado dessa besta. Ele é blindado… BEM blindado…

Eu e a Thaís íamos começar a bater nele de raiva, mas antes de levantarmos o punho ele já nos tinha dado um “cocão”.

— QUE TÉDIO! ACORDA SEU MALDITO! DEIXA EU BRINCAR CONTIGO ENQUANTO O VAN TENTA COPIAR ESSES ARQUIVOS!

Os gritos dele não faziam sinal de efeito, apesar de realmente barulhentos. Ele então, puto, começou a caminhar em direção a besta para surrá-la até acordar, coisa que eu e Thaís tentamos impedir segurando ele. Mas ele nos arrastava… E enquanto lutávamos contra a força monstro do capeta… O sobretudo do Haseo soltou sangue seco no nariz da Thaís fazendo ela espirar…

Foi um espirro humilde, fraquinho, fininho, bonitinho, igual de filhotinho…

— ROAR! – Gritou Lihart com um urro tão poderoso que empurrou o Van só com a vibração do ar.

Nos ajeitamos, olhamos a fera ficar em pé nas quatro patas e estender sua língua bifurcada em nossa direção, só podíamos soltar um único comentário, essencial para nossa existência e momento:

— SÉRIO QUE VOCÊ FEZ ESSA PIADA CLICHE?!

— PERFEITO! – Complementou o Haseo.