Capítulo VI – Parte I

Capítulo 6

Mission Start!

 

Nós nos encontramos no colégio as 10 horas da manhã, e arrumamos tudo o que tinha que arrumar até as 18 horas. Quando estava tudo nos conformes subimos nos veículos. O Bego iria dirigir o Carro do Grupo B, o Haseo do Grupo A e o Shioon estava em sua moto levando o Dark. Apesar dos grupos A e B estarem em carros (Caminhões, para ser mais específico), esses veículos ficarão junto com o Dark e Shioon para operar a missão a distância, com os computadores e satélites que tem dentro deles.

Partimos ao som de “Introduction” de Prince Negaafellaga, exagero proposto pelo Shioon. E, apesar dos sorrisos e palhaçadas de sempre, era impossível eu não perceber o nervosismo de todos… Afinal… Nosso destino era o cemitério dos seus entes queridos… Eu fico imaginando o que descobrirei chegando lá, o que verei… Para ser sincero não lembro muito sobre o lugar… Enquanto tentava pôr as ideias em ordem percebi que a Thaís meio que “se abraçava”, ao ponto de suas pequenas mãos tocarem a própria costa.

— O que foi Thaís, com cólica? – Perguntou o Van, sério.

— Não maldito… Morra… Só… Me lembrando de algo. – Respondeu ela se soltando do abraço.

Bastante confortável essa pressão, dá até vontade de mandar geral pro inferno para ver se ela piora… Bem, a viagem foi de certa forma tranquila… O que era estranho, os Leachers já deviam estar se movimentando loucamente, mas até chegar no perímetro, não fomos barrados por nada…

— Estranho… E sem graça… Achei que só na viagem de ida perderíamos um ou dois membros…

— Tem certeza que deveria estar dizendo isso Haseo?

— Eu falo o que eu quiser Shioon.

Dando de ombros o Shioon ativou os pés de suporte do veículo para o caso de ataque ele não perca a estabilidade, Dark fez o mesmo no segundo caminhão. Eles entraram nos veículos e começaram a adiantar as instalações. Enquanto isso o resto do grupo esperava do lado de fora.

Naga estava tentando verificar a região com seus binóculos de longo alcance, mas o máximo era até 60Km, fazendo ele ter uma boa visão da região geral. Era um binóculo Sakura, desses que não existe mais nesse mundo caótico. Haseo veio em direção ao membro da inteligência com seriedade:

— E então? O que pode nos adiantar?

— Bem… Não tenho visão perfeita do local… A quantidade de ruínas das instalações não cooperam. Mas o que está me incomodando mesmo… É que eu não vejo NENHUM Leacher… Só a viagem até aqui já foi estranha o suficiente, mas não ter nenhum monstro nesse local…

— Também estou incomodado com isso…

— Haseo, se ninguém se machucar é melhor, mesmo você querendo matar algumas pragas…

— Calado. Apesar de isso ser verdade, o que me incomoda é que a oito anos atrás, fomos atacados por um enxame dessas bostas… Me senti em um Rush de baratas… E nem “Nuke” tínhamos… Sem falar que seriamos afetado pela mesma caso tivéssemos, diferente da referência…

Naga fez um leve “facepalm” enquanto tentava se manter sério.

— Enfim… Mesmo que a quantidade fosse menor, era para ter Leachers, não pelo meu gosto, mas pela lógica. O que você acha que pode ter acontecido aqui?

— Vou supor duas opções… A primeira é que outro grupo veio aqui e destruiu tudo, como a Chronos. Ou luta interna entre os Leachers, e se estivermos com sorte, foi uma luta de pesos iguais…

— Porque se tiver sido só um Leacher… Teremos problemas sérios, correto?

— Sim…

Após essa confirmação das suspeitas e preocupações de ambos os estrategistas dos grupos, o Shioon gritou do fundo do caminhão:

— Por favor coloquem os fones, irei ligar a barreira de som!

A barreira de som é uma medida de segurança. Ela libera um ruído irritante em uma pequena área, fazendo os Leachers maiores se afastarem. Mas não funciona com os pequenos. E, apesar de ninguém ouvir nada, ela causa dor de cabeça as pessoas… Principalmente a mim, o mascote… Assim que todo mundo colocou os fones especiais e microfones, tirando o Naga, que usa o sistema S.H.E.E.P., Haseo permitiu a ligação da barreira.

Com todos do lado de fora, reunidos em um círculo e devidamente armados e preparados, Haseo começou as instruções.

— Não se esqueçam, a missão é recuperar as informações da pesquisa de oito anos atrás, como quase todo mundo aqui é burro, tenham certeza de pegar quase tudo que for “suspeito”. Estaremos em constante contato através dos fones, não se acanhem de falar qualquer mensagem. Dark e Shioon estarão de vigia para oponentes externos que se aproximarem, e estarão em prontidão para ir ao resgate, mas não se esqueçam, eles demorariam em cerca de 1 hora para chegar.

— Haseo você já falou tudo isso na sala de aula…

— É bom revisar. Mas, do mais, é só isso. Vão todos se fuder, espero que morram. Dispensados.

— MORRA VOCÊ! – Disseram todos em uni som.

Dito isso todos partiram em suas respectivas direções com os grupos, Haseo assumiu a dianteira do grupo A, enquanto eu a Thaís corríamos pelos flancos. O Van ia na retaguarda. Essa era a formação padrão para um grupo de quatro pessoas, separados o suficiente para não serem vistos em grupo, juntos o suficiente para ir ao resgate de aliados em pouco tempo.

Porém a formação do grupo B era um.. Pouco diferente… Naga estava sobre os ombros do Bego, apontando para frente com uma cara de peixe morto falando algo como “GO!”, Ryu estava correndo logo ao lado deles, e o JuaxXx, estava andando… BEM longe de todos ali… Devagar, no seu tempo… Vamos considerar o Grupo B como de 3 pessoas, porque o JuaxXx nem mais é visível pelo Dark e Shioon a olho nu, e muito menos pelos que foram correndo na frente.

Assim que todos sumiram em suas respectivas direções, Dark foi em direção a um caminhão e o Shioon, a sua moto.

— Aonde você vai Shioon?

— Tem um lugar que eu quero visitar. Não vou demorar. Eles não irão se meter em encrenca tão cedo. Mas qualquer coisa, estou na call… – Disse ele batendo no HeadSet com a ponta do dedo indicador.

Dark só assentiu com a cabeça e entrou no veículo, começou a verificar a distância percorrida pelas equipes através do GPS que os HeadSet tinham embutido.

— Em primeiro lugar, a missão… Não importa os sacrifícios… Certo? Mestre… – Murmurou o gigante assassino enquanto divagava os olhos na tela do computador.

O tempo passou de certa forma… Rápido. Era complicado passar por tantas ruínas, mas divertido. As instalações ficavam dentro da região de uma antiga cidade, então havia muitos entulhos, misturado com a flora e fauna que se restaurara com o tempo, dava para considerar aquilo um paraíso histórico. Só não tinha como tirar férias ali por causa dos Leachers… Que diziam ter aos montes. Após umas duas horas, nós chegamos na instalação do lado Oeste.

— Se não fosse o Lucas e o Van cantando durante a viagem, ela seria perfeita.

— Não nos culpe Thaís! Estávamos entediados! Sem falar que é cansativo ficar pulando para lá e para cá. Sou uma bosta no parkur…

— Você só é velho Van.

— Calada… É esse o prédio?

— Sim. Dark, Shioon, chegamos ao local. Como anda a situação ai? – Disse o Haseo pelo HeadSet.

— Tudo nos conforme. O Grupo B ainda não chegou ao local. Mas estão próximos.

— Certo. Estamos entrando… Estão prontos? Nosso objetivo é a sala dos computadores no centro do edifício.

— Você já conhece o lugar?

— Claro que sim… Você também deveria conhece-lo Lucas…. Wargo…

Thaís e Van ficaram sem entender. Mas eu compreendi perfeitamente o que ele disse… Foi nesse laboratório que o Haseo me achou. Que respostas encontrarei aqui?

Bem… Outro membro estava conseguindo suas próprias “respostas”. Nesse momento o Shioon estava em uma região afastada, uma ponte aos pedaços sobre um rio em meio a mata, para ser mais específico. Ele carregava um “buque” improvisado de flores brancas. Colocando elas no muro de segurança da ponte, ele suspirou e falou:

— Sinto muito… Não sei muito sobre a linguagem das flores, então trouxe todas as flores brancas que achei… Branco é a cor da paz, não é?

Ele coçou a cabeça meio sem jeito, colocou o HeadSet contornando o pescoço como um colar e sussurrou com um sorriso fraco:

— Até o fim eu não consegui fazer você mudar de ideia… Sua lésbica maluca… Até hoje eu lembro, daquela merda de dia…