Capítulo IV

Capítulo 4

A força individual que faz um grupo!

 

Dito isso todo mundo concordou com um sorriso, e com suas armas principais em mãos se moveram em direção ao coelho roxo que comia sua ração com prazer. O Bego decidiu chegar perto suficiente para cutucá-lo com o martelo, na pata traseira. Mas o coelho não demonstrou interesse…

— Tem certeza que a porção desse tal de Thobias funciona? Se continuar assim, será uma execução e não uma batalha, Thaís.

— Talvez leve um tempo para surtir efeito… Aliás, ele está comendo ainda…

— Ou talvez devemos provocá-lo… – Disse o Shioon chegando ao lado do Bego e indicando com a mão para ele se afastar. Com uma de suas facas ele começou a arrancar um pouco do pelo do Leacher gigante, e então, levantando ele em direção a cabeça do bicho começou a falar. — Mas que pelo ruim! Olha como é facilmente arrancado! Se continuar assim te deixarei careca!

“Mas que provocação barata…” E ainda, o bicho só deu uma olhada com o rabo de olho para o seu agressor verbal, e então ignorou. “Emputecido” Shioon deu um chute no animal gritando: “Não me ignore maldito Hamster!”

— HAMSTER?! – Disse toda a equipe em uni som.

Bem… Por bem, ou por mal, esse erro de espécie fez o Leacher reagir. Dando um coice absurdo na lésbica que voou até o outro lado da sala se colidindo com a parede. A pancada foi tão forte que o rapaz soltou sangue e vomito pela boca e caiu ao chão de joelhos segurando a barriga. Nesse momento, lá de cima, vendo seu aluno se agonizando de dor, o maldito professor só fez um assobio de surpresa, enquanto o chefe do setor ficava abismado.

Após tamanho golpe, todo mundo se preparou com suas armas em mãos. Dark foi ajudar o Shioon a se levantar. E, educadamente, o Leacher esperou todos se reunirem para soltar um rugido furioso de excitação pela batalha que estava por vir. Sem esperar ordens, ou qualquer sinal, Ryu partiu em disparada usando toda sua munição contra a barriga do bicho e se aproximando ao mesmo tempo. Enquanto ele fazia isso, o Leacher descia sua pata direita para lhe esmagar, mas foi impedido pelo martelo do Bego que parou o movimento do braço do monstro.

O Dark desaparecia com sua presença e vagarosamente se direcionava para a traseira de seu alvo. Shioon, tentando se recompor mirava nas orelhas do “hamster” com sua pistola. Thaís e eu seguimos contornando o monstro, cada um por um lado, eu fui pela direita dele e ela pela esquerda.

Assim que as balas da metralhadora do Ryu acabaram ele pulou e socou a área afetada pela sua investida, dando um golpe fortíssimo que fez o Leacher dobrar sua coluna… E antes do Ryu recuperar seu equilíbrio no chão, Bego já tinha preparado sua segunda marretada, exatamente no mesmo lugar que o Ryu tinha socado. Fazendo o coelho regurgitar um pouco. Como ele estava muito curvado foi fácil para mim e para a Thaís usar as patas traseiras dele como degraus e pular em direção ao que seria seus olhos. Com nossas katanas perfuramos suas pinturas roxas com fervor. Por reação, o animal levou suas patas a área afetada, forçando eu e a Thaís a largar o local, retirando nossas espadas de lá, lógico. A dor deveria ser alucinante, porque o Leacher esticou seu corpo para cima, e então, com dois tiros certeiros, na ponta das orelhas (alvos do Shioon), ele agonizou para trás, descendo mais ainda a cabeça. O suficiente para o Dark, usar a parede atrás dele como base para pular alto o suficiente no intuito de jogar suas linhas sobre o pescoço da besta e usar seu corpo de 100 Kg de músculo como uma guilhotina!

Ou pelo menos, era essa a intenção… Por algum motivo, o pescoço do Leacher não se cortou… Aliás… Nem a barriga foi perfurada, mesmo após tantos tiros… Os únicos lugares que acabaram feridos foram as orelhas e os “olhos”… Quando eu já ia preparar para avisar o ponto fraco, senti um cheiro forte e perigoso!

— Recuem!

Apesar de eu ter conseguido falar o que deveria ser feito, ter tempo para reagir era algo completamente diferente. Segurando as cordas do Dark com as patas, o coelho gigante girou seu pescoço para sua direita e deitando o corpo ele começou a rodar com as orelhas esticadas, como se fosse um pião. As orelhas acertaram a todos, jogando eu e o resto contra a parede com muita força. O único que não foi pego pelo golpe foi o Shioon que já estava extremamente recuado… Mas quem levou a pior foi o Dark que, para não perder seu fio, não soltou do pescoço do monstro mesmo após diversas voltas naquele inferno.

Quando o animal finalmente parou, fazendo um sinal de “Peace” com dois dedinhos da sua pata, como se fosse um dançarino de break dance, ele encarava com superioridade o estrago feito. Esse ataque dele levou nossas forças ao limite… Nós ainda tínhamos muito o que aprender…

Levantando com muito esforço, eu me preparei para correr para a parte de trás do animal e resgatar o Dark. Assim que eu comecei a correr o animal se levantou soltando as cordas… O Dark caiu ao chão como um saco de bosta remexida, mas ainda segurando sua querida arma de assassinato. Ele tentava se levantar, mas estava muito tonto. Quando o coelho tentou me esmagar com sua pata esquerda Bego segurou o golpe com seu martelo, dessa vez usado como escudo. O rugido de dor e fúria do meu amigo ecoou pela sala, mas logo foi abafado pelo barulho da porta se abrindo…

Haseo decidiu entrar no lugar. Enquanto a porta se fechava atrás do professor infernal, o Leacher tirava a pressão sobre o corpo do guerreiro embaixo de sua pata, eu alcançava o Dark e o ajudava a levantar…

— Que decepção… Levarem um golpe tão ridículo quanto aquele e serem forçados a tal estado… – Disse o Haseo, enquanto pegava um cigarro para acender. Com ele na boca, e pronto para começar seu mal habito, ele esperou eu chegar no canto da sala com o Dark para finalmente soltar a fumaça. — Se afastem, e olhem como se faz.

O Leacher deveria saber por instinto que o Haseo era perigoso. Porque assim que o Haseo pegou a foice com uma das mãos e a apontou para o animal, ele recuou um passo. Esse curto tempo de pavor do coelho, permitiu os alunos a se refugiarem no canto da sala.

Haseo avançou um passo e sorriu com o cigarro preso aos lábios, soltando um pouco de fumaça, sussurrou com o canto da boca: “Venha.”; Em pânico o Leacher avançou com as orelhas apontadas em direção ao grande homem. Usando elas como lança!

Haseo então, segurando a foice com as duas mãos a colocou por entre as orelhas do monstro, as separando. Quando a foice ia tocar na cabeça do bicho, ele parou e então segurou o professor com suas orelhas. Levantando o experiente guerreiro ao ar, pronto para jogá-lo no chão, no intuito de esmagá-lo. Mas o sádico professor simplesmente puxou a foice para cima de sua própria cabeça e deferiu um golpe furioso enquanto esboçava um sorriso tão largo e maníaco que entortou o cigarro.

A foice chegou a atravessar o crânio da criatura, que gemeu de dor. Mesmo soltando o Haseo, ele continuava lá, preso a besta, sendo banhado pelo sangue que fluía como fonte da cabeça do Leacher… Não demorou muito para o coelho gigante sucumbir e ir ao chão…

— E é assim que se acaba com um Leacher. – Disse o verdadeiro monstro daquele lugar, enquanto tirava sua querida arma Skeith do resto mortal do seu oponente. Após um balançar de mão, a porta da sala se abriu mais uma vez, permitindo todo mundo a se retirar daquela prova…

— Haseo… Você é realmente humano? – Perguntou o Dark, completamente pálido se apoiando em meus ombros.

— Eu iria lhe perguntar a mesma coisa. Ficar segurando o pescoço daquele bicho enquanto ele girava a uns 300 Km/h… Só podia ser um aluno meu! – Disse ele dando de ombros. — Mas vocês ainda estão muito fracos! Era 6 contra 1! E levaram uma surra! Vocês terão que passar por outro treinamento infernal…

Todo mundo concordou com um ar de defunto, porque sabia que a palavra não estava ali simplesmente para dar peso, era o significado literal da palavra. Mas existem duas pessoas que, aparentemente, não terão que passar por esse treinamento… Voltando para antes da luta começar. Assim que Haseo chamou a equipe para descer as escadas, Van e JuaxXx se separaram de todos e seguiram em direção da parte interna da instalação…

— JuaxXx, nós temos que descobrir onde eles estão fazendo os testes para a criação dos supersoldados!

— Mas o Danser não disse que ainda não estava na fase de teste com animais?

— Ele também disse que não tem como saber se os animais estão lúcidos. Vamos pegar a droga, comida, injeção, seja lá o que for, e nos transformaremos em supersoldados. Só assim para aniquilarmos os Leachers…

— E se nós perdemos a lucidez?

— Nós não vamos… Ou você planeja desistir agora?

— Claro que não. Só acho que deveríamos testar em outras pessoas além de nós mesmo.

Nesse momento o Van parou de andar e encarou o LesmoBoss. Deu um sorriso incrédulo e falou: “Você é o pior.”

Após chegar em um imenso corredor, Van e JuaxXx começaram a verificar a placa indicativa de todas as portas. Ignorando uns ou outros cientistas randômicos que os encaravam. Até que viram um cientista pulando em alegria e que os parou:

— Eu não sei o que vocês estão fazendo aqui, mas seus amiguinhos estão apanhando de um coelho!

— Do que você está falando?

— Meu nome é Thobias, o melhor cientista daqui, eu brilho mais que qualquer diva pop! Preste atenção, aquele coelho, após uma pequena porção de Berserk, criada por muá, está surrando seus coleguinhas! Agora… Porque estão aqui?

JuaxXx encarou o Van, e então o puxou para trás para assumir a conversa.

— Estamos procurando informação sobre o desenvolvimento dos supersoldados, você, como o melhor cientista daqui, deve saber como anda as pesquisas e onde elas estão, não é mesmo?

— Claro que sei… Mas não significa que eu contaria a vocês…

— Van… Me empresta o seu canivete?

Sem questionar o Van deu seu canivete ao JuaxXx que, com somente uma mão, ergueu o Thobias contra a parede e colocou o canivete contra o pescoço dele.

— Você pode ser inteligente, mas não é mais forte que um bárbaro como eu. Você tem uma escolha, me obedecer. Porque nem mesmo morrer será uma opção de escolha. Caso não me obedeça, ira sofrer na minha mão por anos… E pode ter certeza, eu viverei por anos.

Thobias fechou os olhos e abriu a tapa de um vidro que tinha escondido dentro do jaleco. Desse vidro, saiu uma fumaça roseada que começou a queimar o nariz de Van e JuaxXx que agonizavam de dor. Após Thobias ajeitar sua roupa ele disse com um ar sério e superior.

— Não me subestimem macacos. Sou inteligente. E não é porque faço parte do instituto de inteligência que eu não saiba lutar… Não se preocupem, essa fumaça só irrita e imobiliza. Não irá matá-los.

Com raiva nos olhos JuaxXx deu um soco poderoso na parede ao lado do Thobias.

— VOCÊ QUE ESTÁ NOS SUBESTIMANDO!

— Aff… “Purisso”… Mesmo se eu quisesse, não poderia dar a pesquisa dos supersoldados. Entenda… Eu sou o encarregado dela… E sei o quão incompleta ela está.

— Como assim? – Perguntou o Van tentando conter a irritação no nariz.

— Eu adoraria ter cobaias humanas, mas para isso é necessário passar, pelo menos, por duas fases. Atualmente a pesquisa tem que superar a barreira da chance que há da transformação fazer o soldado virar um Leacher… Sabe o coelho? Era um coelho normal antes… Segundo é fazer com que o paciente não perca a cabeça pelo excesso de poder. O coelho se demonstrou capaz disso, mas as cobaias anteriores… Não. E, por fim, fazer com que a pessoa realmente se torne “Super”…

Nesse momento a fumaça já tinha se dissipado, e eles estavam conversando, de certa forma, calmamente.

— Você fala como se já tivesse testado em algum humano, e nada tenha acontecido…

— E foi quase isso que aconteceu. Eu fui a cobaia. Mas a única diferença é que eu consigo me tornar imune a qualquer porção que eu crie desde que eu consuma ou sofra um pouco do efeito dela antecipadamente. Não diria que fiquei super, mas essa habilidade me cai bem.

— Em quanto tempo você acha que consegue aperfeiçoar as chances?

— Depende… Se eu botasse as mãos na pesquisa da instalação da inteligência que foi destruída 8 anos atrás… Talvez eu conseguisse deixar as chances em 50% até o fim do ano…

Van e JuaxXx se encararam em confusão.

— Que pesquisa é essa? – Perguntaram em sintonia.

— Eu conto conforme vamos andando ao local onde seus amiguinhos estão apanhando. Já deve ter acabado, aliás.

E ele estava certo, nesse exato momento um professor lunático estava sendo banhado com sangue.

— Antigamente, cada instalação da inteligência estudava uma forma de como derrotar os Leachers… Desde como dizimá-los com uma doença que só os afetassem, até como transformá-los em humanos novamente. A nossa instalação sempre se focou em transformá-los em humanos, mas após todas as instalações serem destruídas 8 anos atrás, aderimos também na pesquisa para os supersoldados. Mas existia um grupo que tinha uma pesquisa um tanto… Irônica… Eles queriam pegar um Leacher e transformá-lo em humano, sem perder seus poderes especiais…

— O que tem de irônico nisso? Não é a mesma coisa que você estaria pesquisando agora?

— Tem uma diferença… Significativa… Nós estamos tentando fazer o Leacher voltar a ser quem ele era antes da transformação. Um humano normal. Eles… Bem, queriam fazer um Leacher se transformar um humano novo, sem memórias do seu antigo eu, e com super-habilidades…

— Ou seja, transformar Leachers em supersoldados.

— Sim… E, até onde o chefe do setor me contou, eles conseguiram, pelo menos com um espécime… Se eu pudesse pôr as mãos nesse espécime ou na papelada… Eu poderia adiantar muito minha pesquisa. Mas, apesar de eu ter uma noção de luta, não sou um soldado tão bom para ir até a instalação antiga, enfrentar os Leachers que lá tem, e voltar.

— Acho que sei onde você quer chegar. Você quer que eu e meus colegas vão lá.

— Exato. E caso a missão seja um sucesso, eu prometo transformá-los em supersoldados.

— Então a considere completa.

Com um aperto de mão, uma negociação foi feita, um contrato de trabalho. Os dois então deram as costas ao cientista e foram em direção ao grupo que estava mancando em direção ao veículo que os levaria para casa. Após todo mundo se “ajeitar” em seus lugares eles abriram um largo sorriso e:

— Tem uma garrafa na parede, se você jogar mais uma, terá duas garrafas na parede…

— POR FAVOR! PAREM! AAAAAAAAAAHHHHHHH! – Gritou o resto do grupo em agonia.